© Ricardo Stuckert/PR
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (24), o Projeto de Lei Antifacção, uma nova legislação que promete intensificar o combate ao crime organizado no Brasil. Aprovado pela Câmara dos Deputados no final de fevereiro, o texto final busca não apenas aumentar as penas para a participação em grupos criminosos e milícias, mas também fortalecer os mecanismos de apreensão de bens e descapitalização dessas estruturas. A iniciativa reflete um esforço governamental para abordar as raízes e o financiamento do crime, focando naqueles que se beneficiam de esquemas ilícitos.

A Lei Antifacção redefine o escopo da atuação legal, considerando como facção criminosa qualquer organização ou grupo de três ou mais pessoas que empregue violência, grave ameaça ou coação. O objetivo é claro: controlar territórios, intimidar populações ou autoridades, ou atacar serviços e infraestruturas essenciais. Esta abrangente definição permite um enquadramento mais eficaz contra diversas manifestações do crime organizado, incluindo milícias e grupos paramilitares.

Para as lideranças dessas organizações, a nova norma estabelece um regime de sanções mais rigoroso. Benefícios como anistia, indulto, fiança ou liberdade condicional são vedados, e a progressão de pena se torna significativamente mais restrita, podendo exigir até 85% de cumprimento em regime fechado em certos casos. Adicionalmente, líderes de facções cumprirão suas penas ou prisão preventiva em presídios de segurança máxima. Outra medida de impacto é a retirada do direito de voto para detentos comprovadamente associados a organizações criminosas, mesmo que ainda não haja condenação definitiva, reforçando a seriedade da lei.

Combate Estratégico aos 'Magnatas do Crime'

Em sua fala durante o evento de sanção, o presidente Lula destacou a necessidade de focar nos responsáveis por trás do crime organizado, a quem ele se referiu como 'magnatas do crime'. A legislação visa superar uma crítica frequente dos governadores, que apontam a recorrente soltura de criminosos dias após a prisão. A intenção é assegurar que, uma vez que a polícia realize prisões com provas concretas, os indivíduos não consigam escapar da punição, mirando na estrutura financeira e nos líderes que se escondem em "apartamentos de luxo".

Cooperação Internacional e o Rastreamento de Ativos

Lula enfatizou a capacidade investigativa do Brasil, especialmente da Polícia Federal, no combate ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. O presidente ressaltou a importância de parcerias internacionais para enfrentar organizações criminosas que ocultam seus ativos no exterior, mencionando conversas com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Como exemplo concreto, citou a Operação Carbono, que desbaratou um esquema de tráfico de gasolina e expôs um dos maiores sonegadores de impostos do país, o empresário Ricardo Magro, dono da Refinaria de Manguinhos, que reside em Miami. A troca de informações, incluindo a localização de bens desses criminosos, foi um ponto crucial nas discussões.

Mecanismos Inovadores de Descapitalização e Inteligência

Um dos pilares da Lei Antifacção é o fortalecimento dos mecanismos de apreensão de patrimônio. A legislação permite medidas abrangentes sobre bens, direitos e valores ligados ao crime organizado, incluindo ativos digitais e participações societárias. A inovação reside na integração de informações por órgãos de controle e na autorização para a perda de bens independentemente de condenação definitiva, inclusive por via civil autônoma. Essa abordagem visa atacar diretamente a base financeira das facções, minando sua capacidade de operação.

Para otimizar o combate, a lei também institui o Banco Nacional de Dados de Organizações Criminosas. Este banco terá integração obrigatória com bases estaduais interoperáveis e será fundamental para a consolidação e o compartilhamento de informações sobre pessoas e estruturas vinculadas a essas organizações. O objetivo é fortalecer a atuação coordenada no âmbito do Sistema Único de Segurança Pública e dos sistemas de inteligência, proporcionando uma resposta mais ágil e eficaz.

Impacto Social e Desincentivo à Criminalidade

A nova lei aborda ainda a questão do auxílio reclusão. Dependentes de membros de organizações criminosas, grupos paramilitares ou milícias privadas, sejam eles presos provisoriamente ou cumprindo pena em regime fechado ou semiaberto, não terão direito a esse benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Lula avaliou essa medida como um avanço significativo, acreditando que ela servirá como um desincentivo à prática criminosa, fazendo com que o indivíduo criminoso saiba que sua irresponsabilidade terá consequências diretas para sua família.

Em suma, a Lei Antifacção representa um marco na estratégia de segurança pública brasileira, com o governo buscando uma abordagem mais robusta e multifacetada contra o crime organizado. As medidas visam desmantelar essas estruturas não apenas pela prisão de seus membros, mas pela descapitalização e pelo corte dos laços que sustentam suas operações, prometendo um combate mais eficaz e focado nas grandes lideranças.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br