© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Campo Grande (MS) tornou-se, nesta segunda-feira (23), o epicentro de um importante diálogo global com a abertura da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15). A cerimônia de boas-vindas foi notavelmente diversa, reunindo desde autoridades governamentais e representantes da ONU até cientistas, membros da sociedade civil e, de forma marcante, comunidades tradicionais, que compartilharam suas perspectivas e expectativas para os trabalhos da semana. O evento sinaliza um esforço coletivo para fortalecer a proteção da biodiversidade transfronteiriça.

O Apelo Global por Unidade e Sustentabilidade

A Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil, Marina Silva, inaugurou o ciclo de discursos, enfatizando a capacidade da união entre nações para impulsionar avanços significativos na salvaguarda das espécies listadas na Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). Em sua fala, ela sublinhou a necessidade de ações transversais que abranjam a conectividade ecológica e o enfrentamento às mudanças climáticas. A ministra projetou a conferência como uma plataforma para demonstrar ao mundo a viabilidade de conciliar progresso econômico com a preservação ambiental, vislumbrando um futuro próspero que não comprometa o patrimônio natural.

Diagnóstico e Perspectivas de Recuperação

Na sequência, Amy Fraenkel, Secretária Executiva da CMS, trouxe à tona a urgência dos desafios apresentados pelo relatório mais recente sobre espécies migratórias. Divulgado na COP14, o documento revelou um preocupante aumento de 49% nas populações em declínio entre as espécies amparadas pelo tratado internacional. Contudo, Fraenkel também apontou para casos de sucesso, como a recuperação de populações de tartaruga-verde, atribuída à implementação de sistemas de áreas protegidas bem interligadas e eficientemente gerenciadas, oferecendo um vislumbre de esperança para a eficácia das medidas de conservação.

A Voz Ancestral dos Guardiões da Biodiversidade

Após as falas oficiais, a rica tapeçaria cultural brasileira foi celebrada. Membros do povo Terena, do Mato Grosso do Sul, realizaram a tradicional e sagrada Dança da Ema, uma poderosa manifestação de sua cultura e resistência. Adriana da Silva Soares, representando a comunidade quilombola, destacou a profunda conexão de seu povo com o Pantanal, que é para eles fonte de vida e ancestralidade. Ela ressaltou a luta contínua pela demarcação e articulação de seus territórios, sublinhando que, embora sejam os principais defensores do meio ambiente, suas comunidades permanecem vulneráveis e, por vezes, invisibilizadas sem o reconhecimento de seus direitos territoriais, colocando em risco não apenas os povos, mas todo o bioma.

Ciência, Esperança e a Conectividade sem Fronteiras

A bióloga Tatiana Neves, fundadora e coordenadora-geral do Projeto Albatroz, também contribuiu com uma perspectiva inspiradora. Dirigindo-se a uma plateia composta por líderes globais, cientistas e ativistas, ela utilizou a imagem do albatroz, ave que cruza oceanos e conecta continentes, como metáfora para a capacidade humana de unir conhecimentos e esforços em prol da conservação. Neves expressou “esperança” na força conjunta dos presentes e na crença de que a natureza, em sua essência, não reconhece fronteiras geográficas, reforçando a premissa de que a colaboração é essencial para a proteção das espécies migratórias.

Definição da Agenda e Rumo aos Consensos

Após a cerimônia de abertura, os procedimentos da conferência avançaram com a eleição unânime de João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, como presidente da COP15. Em seguida, foi aprovada a agenda que guiará os debates ao longo da semana, compreendendo mais de cem itens a serem discutidos e consensuados. Capobianco expressou satisfação com o resultado, indicando um início promissor para a conferência, com todos os tópicos propostos considerados relevantes e aceitos favoravelmente pelos países participantes.

A cerimônia de abertura da COP15 em Campo Grande, com sua rica tapeçaria de discursos e manifestações, estabeleceu um tom de urgência, esperança e colaboração. Ao integrar vozes governamentais, científicas e das comunidades tradicionais, o evento reforçou a visão de que a proteção das espécies migratórias e seus habitats exige uma abordagem multifacetada e o engajamento de todos os setores. Os próximos dias serão cruciais para transformar essa diversidade de perspectivas em ações concretas e compromissos globais que garantam um futuro mais seguro para a vida selvagem do planeta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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