Três médicas ginecologistas do Ambulatório de Especialidades do Complexo Hospitalar Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, foram observadas realizando atividades pessoais durante o horário em que deveriam estar atendendo pacientes. A rotina das profissionais foi acompanhada e flagrada, revelando que, em vez de estarem no hospital, elas foram vistas fazendo compras e participando de aulas de pilates.
A escala afixada no ambulatório indica que Márcia Kamilos, Silmara Fialho e Mara Gomes compõem o quadro de ginecologistas da unidade. No entanto, pacientes relatam dificuldades em agendar consultas há meses. Uma cozinheira mencionou não conseguir marcar um atendimento com um ginecologista há mais de seis meses, recebendo sempre a mesma resposta: falta de vagas e de médicos na especialidade. Sua irmã também enfrenta a mesma dificuldade, expressando frustração com a falta de acesso ao serviço, apesar de contribuir com impostos.
Apurou-se que a médica Márcia Kamilos está afastada do hospital há um ano, desde dezembro de 2024, devido a um atestado médico de 365 dias por “capacidade laborativa prejudicada”. Contudo, foi possível marcar uma consulta com ela em uma clínica particular no bairro dos Jardins para dezembro de 2025. Além disso, Márcia Kamilos participou de congressos e ministrou aulas em São Paulo, Goiânia e Brasília.
A médica Silmara Fialho tem horários de trabalho fixos às segundas e quartas-feiras. Acompanhamento revelou que, em uma segunda-feira de novembro, ela registrou o ponto e, duas horas antes do término oficial do expediente, deixou o hospital sem retornar. Em outra quarta-feira, chegou com uma hora e meia de atraso e saiu após atender pacientes até 12h30. Silmara também foi vista fazendo compras em um momento em que deveria estar trabalhando no Hospital Heliópolis. Em dois dias da mesma semana, ela não compareceu ao trabalho.
A escala da médica Mara Gomes indica jornadas de trabalho de 10 horas às segundas e quartas-feiras e de seis horas às sextas-feiras. Em uma quarta-feira de novembro, ela retornou ao ambulatório após um período de três horas fora do hospital, durante o qual fez aula de pilates e almoçou. Em outra segunda-feira, registrou o ponto e saiu para fazer pilates em outra cidade, sendo flagrada na aula durante o horário em que deveria estar no hospital. Na parte da tarde, voltou e atendeu pacientes.
Dados do Portal da Transparência do Estado de São Paulo indicam que, de janeiro a outubro de 2025, as médicas Márcia Kamilos, Mara Gomes e Silmara Fialho receberam salários que somam mais de R$ 210 mil.
A médica Márcia Kamilos afirmou que a administração do hospital está ciente de seu afastamento e da documentação apresentada. Tentativas de contato com Silmara Fialho e Mara Gomes não obtiveram resposta.
A secretaria da Saúde declarou que determinou à organização social Albert Einstein, responsável pela gestão do hospital, a apuração imediata e rigorosa dos fatos. A secretaria repudiou qualquer conduta incompatível com a ética profissional e informou que, se confirmadas irregularidades, as profissionais envolvidas podem sofrer sanções administrativas, trabalhistas e legais. A Organização Einstein Hospital Israelita iniciou a implementação de melhorias nos controles internos, como registro de ponto por biometria facial, para aprimorar a supervisão de seus colaboradores.
Fonte: g1.globo.com