Com 34% das urnas apuradas, o candidato conservador Nasry Asfura, do Partido Nacional, lidera a eleição presidencial em Honduras, conforme dados da entidade eleitoral. O pleito, realizado neste domingo, ocorre em meio a um cenário de equilíbrio entre candidatos de direita e esquerda, segundo pesquisas de intenção de voto.
Asfura, filho de palestinos, é apontado como um aliado do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que formalizou seu apoio ao candidato do Partido Nacional na semana passada. Asfura concorre à presidência pela segunda vez. Seu partido enfrenta o desgaste da condenação do ex-presidente Juan Orlando Hernández. Ele também já exerceu o cargo de prefeito de Tegucigalpa e foi alvo de acusações de desvio de fundos, além de figurar na lista do “Pandora Papers” por possuir empresas offshore.
Além de Asfura, a disputa presidencial conta com outros nomes relevantes. Rixi Moncada, candidata da situação, representa a continuidade do projeto esquerdista de Xiomara Castro e de seu marido, o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto em 2009. Moncada, que já atuou como professora, advogada, juíza e ministra em diversas pastas, também enfrentou acusações de corrupção e nepotismo.
Salvador Nasralla, figura conhecida da televisão, concorre pela quarta vez à presidência, agora pelo Partido Liberal. O apresentador de TV e narrador de futebol, demonstra admiração pelos presidentes Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), e sinaliza que pretende replicar suas políticas.
A eleição deste domingo define o sucessor da atual presidente, Xiomara Castro, que em 2021 reconduziu a esquerda ao poder em Honduras, após 12 anos de governos conservadores.
Durante a campanha, os candidatos priorizaram acusações de corrupção e manipulação eleitoral contra seus adversários, em detrimento da apresentação de propostas concretas.
Moncada defende a “democratização” da economia através de uma estrutura tributária mais progressiva e maior acesso a crédito facilitado. Nasralla, por sua vez, concentra seu discurso no combate à corrupção e se apresenta como um outsider. Asfura se posiciona como um gestor pragmático, focado em atender às necessidades de infraestrutura do país.
Pesquisas de intenção de voto indicavam um cenário indefinido antes da eleição, com Nasralla liderando com 27%, seguido por Moncada (26%) e Asfura (24%).
Eleitores manifestam preocupação com a possibilidade de anulação do pleito, especialmente após autoridades eleitorais relatarem irregularidades no sistema de resultados preliminares. Rixi Moncada chegou a ameaçar não reconhecer o resultado caso o problema persistisse, gerando apreensão entre observadores internacionais sobre a legitimidade das eleições.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação com ações e declarações que geram incerteza e desestabilizam o processo eleitoral.
Outro ponto de atenção é o papel das Forças Armadas, que solicitaram acesso às atas eleitorais, gerando receios de interferência no processo, apesar de sua função constitucional ser limitada à guarda do material eleitoral.
A violência também foi um tema central na campanha, com a taxa de homicídios em Honduras sendo a mais alta da América Central.
A influência de Donald Trump também se fez presente na eleição, com cada candidato buscando alguma forma de se conectar com o ex-presidente americano. Trump chegou a declarar apoio a Asfura, afirmando que, caso ele não vença, o apoio financeiro a Honduras diminuirá.
Fonte: g1.globo.com