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A construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu, um projeto marcante entre 1973 e 1982, transformou a região oeste do Paraná e a vida dos povos indígenas Avá-Guarani, que habitavam a área. A criação da usina, que se tornaria a maior geradora de energia limpa e renovável do Brasil e da América do Sul, envolveu a inundação de 135 mil hectares de terra, incluindo locais de grande importância espiritual para os Avá-Guarani.

Um relatório da Procuradoria Geral da República (PGR) indicou que a construção forçou a remoção de aproximadamente 40 mil pessoas, entre indígenas e não indígenas. Quase meio século depois, a Itaipu e o Estado Brasileiro formalizaram um pedido de desculpas pelas ações que ignoraram os direitos, tradições e laços culturais e espirituais dos Avá-Guarani. O reconhecimento também abordou a invisibilização das narrativas indígenas, resultando em um “apagamento violento” da existência desse povo.

Vilma Rios, liderança indígena Avá-Guarani, relatou que sua comunidade foi removida à força, com relatos de resistência e violência. A remoção dos Avá-Guarani ocorreu durante o período da ditadura militar (1964-1985), época em que os direitos à terra e à identidade indígena eram frequentemente negados. Muitos foram reassentados em áreas próximas a Guaíra, onde a disputa por território persiste entre indígenas e fazendeiros.

A Comissão Estadual da Verdade do Paraná apontou que a escolha do local para a barragem resultou na remoção de comunidades inteiras e na submersão de locais sagrados, incluindo casas de reza, cemitérios e o Salto de Sete Quedas, outrora o maior conjunto de cachoeiras do mundo em volume de água.

Vilma Rios expressou a dor de crescer apenas com memórias do território perdido, lamentando a impossibilidade de levar seus filhos ao Salto das Sete Quedas e compartilhar a história de seus antepassados no local. Ela também enfatizou que as violências daquele período continuam presentes, manifestando-se em racismo e tentativas de invisibilização.

Em 2013, o indígena Lourenço Figueiredo relatou ao Centro de Trabalho Indigenista (CTI) como foi vivenciar o deslocamento forçado, descrevendo a remoção de 70 famílias indígenas de Dois Irmãos e a falta de indenização.

Nos últimos dois anos, os conflitos por terras na região oeste se intensificaram, com incidentes de violência e ameaças que levaram crianças indígenas a abandonar a escola por medo. O Ministério Público do Paraná (MP-PR) e o Ministério Público Federal (MPF) recomendaram o reforço da segurança na região.

Em março, um acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu o pedido de desculpas da usina e a destinação de R$ 240 milhões da Itaipu para a compra de áreas indígenas. As primeiras famílias foram assentadas na Fazenda Brilhante, em Terra Roxa.

O pedido de desculpas também abordou o histórico de violações enfrentadas pela população indígena, incluindo condições análogas à escravidão na produção de erva-mate e derrubada de madeira, e reconheceu que o Estado partiu de um pressuposto que ignorava a existência dos povos originários. A carta admitiu a negligência do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) e da Funai em relação aos Avá-Guarani do oeste do Paraná até os anos 1970, resultando na não demarcação de suas terras. O texto concluiu com o reconhecimento da responsabilidade pelas violações de direitos humanos e o compromisso de implementar medidas concretas de reparação e preservação da memória histórica.

Fonte: g1.globo.com

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