O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revogou a tarifa de 40% que havia imposto sobre uma variedade de produtos brasileiros, incluindo carne, café, cacau, manga e açaí. A medida, anunciada em abril em resposta ao processo e condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem efeito retroativo a partir de 13 de novembro.
A decisão de Trump ocorre em um momento em que sua aprovação popular enfrenta um declínio. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos apontou que o índice de aprovação do presidente americano caiu para o nível mais baixo desde seu retorno ao poder. A escalada nos preços dos alimentos é apontada como um fator crucial por trás dessa queda.
Enquanto a ordem de Trump não faz menção às sanções impostas a autoridades brasileiras envolvidas no processo de Bolsonaro, a suspensão das tarifas sinaliza uma possível mudança na estratégia política de Trump. Entre as autoridades sancionadas anteriormente está o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e sua esposa, Viviane Moraes, ambos incluídos na Lei Global Magnitsky.
Observadores internacionais sugerem que a decisão de Trump reflete uma preocupação crescente com o impacto do custo de vida na agenda política. A vitória do socialista Zohran Mamdani na eleição para prefeito de Nova York, impulsionada por uma plataforma focada na acessibilidade financeira, teria intensificado o debate público sobre o tema.
A Casa Branca estaria estudando medidas para mitigar o problema do custo de vida nos EUA, buscando reduzir os preços dos supermercados a tempo do Dia de Ação de Graças. Este feriado, um dos mais importantes do país, poderia servir como palco para demonstrar a nova estratégia política de Trump.
A revogação das tarifas também é vista como um esforço para amenizar as tensões comerciais com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida surge como uma tentativa de responder às derrotas nas eleições locais recentes e reconhece que a política tarifária estava pressionando os preços, impactando os consumidores americanos.
Outros analistas apontam para uma possível “química” entre Trump e Lula, mencionada durante um encontro na cúpula da ONU em Nova York, como um fator contribuinte para a decisão. Com a suspensão do tarifaço, o Brasil passa a ocupar uma posição menos punitiva na lista de nações taxadas pelos EUA. Importante notar que o Brasil não fez concessões em troca da suspensão das tarifas, que é vista como uma resposta à alta da inflação de alimentos nos Estados Unidos.
Fonte: g1.globo.com