Um empresário de Ribeirão Preto (SP) viveu momentos de terror nesta sexta-feira (27) ao ser sequestrado na zona norte da cidade. Horas depois, ele foi encontrado e liberado em um canavial na zona rural de Sertãozinho (SP), levantando a forte suspeita da Polícia Civil de que a vítima foi levada por engano. O crime, marcado por uma inusitada demanda de resgate e a subsequente soltura, coloca em destaque a complexidade das investigações.
O Rapto e a Rápida Resolução do Cativeiro
O incidente teve início quando o empresário foi abordado por dois homens encapuzados dentro de sua loja, localizada no bairro Ipiranga. Ele foi violentamente forçado a entrar em um veículo GM Astra prata. Embora o carro não fosse produto de roubo, seu licenciamento estava vencido e o proprietário ainda não foi identificado pelas autoridades, um detalhe crucial para a investigação em curso.
A rápida intervenção policial, que se desenrolou em diligências imediatas, foi fundamental para o desfecho. Durante a tarde, a Polícia Civil foi notificada sobre a libertação do empresário em um canavial, nas proximidades de Sertãozinho. Os agentes conseguiram localizar a vítima em questão de minutos, encontrando-o confuso e com ferimentos leves provocados pelas amarras, após ser obrigado a ingerir bebida alcoólica para desorientação.
A Inusitada Exigência e os Dias de Cativeiro
Desde o momento do rapto, os criminosos mantiveram uma única e insistente demanda: o pagamento de R$ 3 milhões. Os sequestradores afirmavam que a quantia pertencia a um vereador da região e estaria sob a guarda do empresário. A vítima, por sua vez, negou veementemente possuir tal dinheiro ao longo de todo o período em que esteve em poder dos criminosos, que chegaram a forçá-lo a gravar áudios com pedidos de resgate.
Submetido a um cativeiro desconhecido, o empresário permaneceu com os olhos vendados por um capuz desde o instante em que foi colocado no carro em Ribeirão Preto. Ele relatou não conseguir identificar o percurso, mas percebeu que o veículo trafegou por uma rodovia. No local do cativeiro, além das amarras e da venda, foi compelido a consumir álcool, um artifício para mantê-lo desorientado e dificultar qualquer reconhecimento.
O Equívoco dos Sequestradores e as Diligências Policiais
A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para um caso de sequestro por engano. Segundo o delegado André Baldochi, a persistência do empresário em negar a posse do dinheiro e a incapacidade dos sequestradores de estabelecer contato eficaz com a família para o resgate – em parte devido ao monitoramento policial – levaram à percepção de que haviam raptado a pessoa errada. A tentativa de contato com um amigo da vítima, lembrado de cabeça, também não resultou no pagamento da quantia exigida, culminando na decisão de libertá-lo.
As diligências para identificar e prender os responsáveis seguem intensas. A Polícia Civil, com a colaboração da Polícia Militar, já tem informações sobre o veículo utilizado e está em busca de imagens de radares e pedágios que possam auxiliar na elucidação do crime. Até o momento, nenhum suspeito foi detido ou formalmente identificado, mas os esforços se concentram em rastrear os autores e desvendar os reais motivos por trás da tentativa de extorsão.
Desdobramentos e a Busca por Justiça
O sequestro do empresário em Ribeirão Preto, com sua rápida resolução e a forte indicação de um erro de alvo, sublinha a dinâmica imprevisível de crimes dessa natureza. Enquanto a vítima se recupera do trauma e dos ferimentos, a Polícia Civil avança nas investigações para trazer à luz a identidade dos criminosos e garantir que sejam responsabilizados. O caso serve de alerta e reforça a atuação contínua das forças de segurança na região.
Fonte: https://g1.globo.com