Em um ato de bravura e profissionalismo que transcendeu o horário de expediente, um socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) protagonizou um resgate emocionante em São Vicente, litoral paulista. Mesmo fora de serviço, Adilson Pereira de Azevedo, de 39 anos, agiu prontamente ao se deparar com um bebê de apenas dois meses, que chegou à base da corporação engasgado e sem respirar. Sua intervenção rápida e decisiva, utilizando a manobra de Heimlich, foi crucial para reverter um quadro de extrema gravidade e devolver a vida ao pequeno, para alívio da família e de todos que testemunharam o momento.
A Corrida Contra o Tempo na Base do SAMU
A noite da última terça-feira (17) transformou-se em um cenário de desespero para uma família em São Vicente. Os pais, em pânico, buscaram socorro na base do SAMU, carregando nos braços seu filho recém-nascido, que havia acabado de ser alimentado pela mãe e agora se encontrava sem sinais de respiração devido a um engasgo. Foi nesse contexto de urgência que Adilson Pereira, mesmo não estando em seu turno de trabalho, percebeu a gravidade da situação e não hesitou em intervir. A experiência e o instinto do socorrista foram imediatamente ativados diante da vida que se esvaía.
O profissional descreveu a cena com a intensidade que a marcou: "Na hora em que percebi a gravidade, foi como se o tempo parasse por um instante. Mas, ao mesmo tempo, tudo aconteceu muito rápido. Não dá tempo para pensar, nem para hesitar". A percepção de que cada segundo era vital impulsionou sua ação, focando integralmente em salvar a criança.
A Manobra Que Devolveu a Vida
Sem perder um instante, Adilson aplicou a manobra de Heimlich, um procedimento de emergência desenhado para desobstruir as vias aéreas em casos de engasgo. A técnica, que exige precisão e calma sob pressão, foi executada com a maestria de um profissional treinado. Foram segundos de intensa tensão, nos quais a esperança da família e a vida do bebê dependiam unicamente da eficácia do socorro prestado.
O alívio foi indescritível quando o pequeno finalmente reagiu. Adilson relembrou a emoção do momento: "Foram poucos segundos… mas, para quem está ali, parece uma eternidade. Cada instante é carregado de tensão, de incerteza, até que vem a resposta. E quando o bebê volta a respirar, é como se a vida voltasse junto. É um alívio difícil de explicar". A resposta do recém-nascido trouxe um sopro de esperança e alegria que ecoou por toda a base do SAMU.
O Rescaldo Emocional e a Recuperação
Após a bem-sucedida intervenção de Adilson, a família, que momentos antes estava mergulhada no desespero, foi tomada por uma torrente de emoções. Lágrimas de alívio e gratidão se misturaram ao choro do bebê que finalmente voltava a respirar, marcando o fim de uma provação angustiante. Adilson descreveu a reação dos pais: "Estava completamente desesperada, sem saber o que fazer. É uma cena muito forte. E quando o bebê reagiu, veio o alívio. Vieram as lágrimas, o choro, o desabafo".
Para garantir a plena recuperação do pequeno, ele foi prontamente encaminhado ao Pronto-Socorro Central para uma avaliação médica completa. Exames clínicos e um raio-X de tórax foram realizados, confirmando que não houve alterações ou sequelas decorrentes do engasgo. Após receber alta, a mãe foi devidamente orientada pela equipe médica sobre os sinais de perigo e as melhores práticas para prevenir futuros incidentes de engasgo, garantindo a segurança contínua do seu filho.
Lições de um Herói: Profissão e Paternidade
Com aproximadamente nove anos dedicados ao SAMU, Adilson Pereira de Azevedo reflete sobre a singularidade deste resgate. Apesar de sua vasta experiência, foi a primeira vez que precisou agir fora de seu horário de trabalho para salvar um recém-nascido. Ele enfatiza a responsabilidade acrescida que sentiu: "A responsabilidade pesa ainda mais, porque é uma vida extremamente frágil ali, dependendo de você". Mesmo com o nervosismo inerente a uma situação tão crítica, a firmeza de seu treinamento e sua dedicação profissional prevaleceram.
Além do compromisso profissional, o incidente tocou profundamente o lado pessoal de Adilson. Sendo pai de filhos pequenos, ele compreende a dimensão do desespero que a família enfrentou. "Fica na memória, fica no emocional. Principalmente depois que tudo passa, quando você para e começa a refletir sobre o que aconteceu. E, além de profissional, eu também sou pai. Tenho filhos pequenos, então eu consigo sentir, de verdade, o desespero daquela família", revela. Essa conexão pessoal intensifica a gratificação de ter feito a diferença.
A ação heroica de Adilson reforça o propósito maior de sua profissão. "São nesses momentos que a gente entende o peso, mas também o valor imenso de poder fazer a diferença na vida de alguém", conclui o socorrista. O episódio em São Vicente não é apenas uma história de salvamento, mas um testemunho da dedicação, da compaixão e da preparação dos profissionais do SAMU, que estão sempre prontos para servir, a qualquer hora e em qualquer circunstância.
Fonte: https://g1.globo.com