© Lula Marques/Agência Brasil.
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Na última quinta-feira, 15 de setembro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu retirar de pauta a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A medida foi anunciada após o texto ter passado pela Câmara dos Deputados e ter recebido aceleração no Senado, especialmente após ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde não sofreu alterações.

Motivos da Retirada de Pauta

Alcolumbre justificou sua decisão ao afirmar que o adiamento visa evitar uma discussão precipitada sobre a proposta. Ele ressaltou a importância de permitir que os senadores cheguem a um consenso sobre as emendas apresentadas, o que inclui um pedido de verificação em relação ao calendário especial de tramitação que foi aprovado em votação simbólica na noite anterior.

Emendas Controversas

Entre as emendas propostas, destacam-se duas que abordam a redução da maioridade penal, um tema que gera divergências significativas. A emenda 84, do senador Rogério Marinho (PL-RN), sugere que a responsabilização penal comece aos 16 anos, com uma redução para 14 anos em casos de crimes hediondos. Em contrapartida, a emenda 87, proposta pelo senador Camilo Santana (PT-CE), mantém a maioridade penal em 18 anos, mas propõe a redução para 16 anos em situações específicas de crimes graves.

Conteúdo da PEC da Segurança

A PEC, que tem como origem uma iniciativa do Poder Executivo, busca estabelecer penas mais severas para líderes de facções e milícias, além de criar um novo pacto federativo para o combate ao crime em todo o Brasil. Essa proposta é considerada uma prioridade pelo atual governo, que planeja criar um Ministério da Segurança Pública após a aprovação da emenda.

Mudanças Propostas na Segurança Pública

Dentre as mudanças significativas propostas, destaca-se a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e alterações no Artigo 144 da Constituição, que trata da segurança pública. A proposta enfatiza que a segurança deve ser realizada em regime de cooperação entre as diferentes esferas de governo, garantindo uma atuação integrada das instituições envolvidas.

Penas e Medidas Patrimoniais

A PEC prevê a implementação de penas mais rigorosas para chefes de facções, incluindo a possibilidade de prisão em unidades de segurança máxima. Além disso, a proposta inclui medidas patrimoniais para reprimir o produto do crime e estabelece responsabilidades para pessoas jurídicas envolvidas nas atividades criminosas, garantindo proteção a denunciantes.

Financiamento da Segurança Pública

Outro ponto relevante da PEC é a destinação de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para estados e municípios. Essa medida busca assegurar um financiamento mais robusto e previsível para as ações de segurança, ao mesmo tempo em que estabelece blindagens orçamentárias para garantir a continuidade das operações policiais.

Conclusão

A retirada da PEC da pauta pelo presidente do Senado reflete a complexidade dos debates em torno da segurança pública no Brasil. Com emendas controversas e a necessidade de um amplo consenso entre os senadores, a discussão sobre a proposta continua em aberto. O futuro da segurança pública no país pode depender da capacidade dos legisladores em encontrar um equilíbrio entre medidas rigorosas e a proteção dos direitos civis.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br