© Tomaz Silva/Agência Brasil
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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) apresentou nesta terça-feira (5) as novas Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, versão 2026. A divulgação ocorreu durante o Seminário Nacional sobre Experiências Bem-sucedidas na Estruturação da Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho no Brasil, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Atualização das Diretrizes

Originalmente lançadas em 2012, essas diretrizes foram revisadas para integrar as mais recentes descobertas científicas e fortalecer o suporte aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Essas mudanças visam melhorar a identificação e o monitoramento de fatores de risco presentes nos ambientes de trabalho.

Novos Tipos de Câncer Reconhecidos

A nova versão ampliou significativamente o número de tipos de câncer associados ao trabalho. Enquanto a edição anterior listava 19, agora são 50 tipos, organizados de acordo com os agentes e fatores de risco. Essa atualização foi necessária, pois muitos agentes químicos, físicos e biológicos foram classificados como cancerígenos desde 2012.

Mudanças Relevantes

Entre as novas adições estão ocupações como a de bombeiro e o trabalho noturno, que se mostraram associados a cânceres como os de mama, reto e próstata. A epidemiologista Ubirani Otero, responsável pela Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Inca, enfatizou a importância dessas atualizações para a proteção dos trabalhadores.

Ferramenta para Profissionais de Saúde

A versão 2026 das diretrizes foi concebida para ser uma ferramenta prática que os profissionais de saúde podem utilizar em seu dia a dia. Através do histórico ocupacional dos trabalhadores, é possível identificar a exposição a riscos e notificar os casos adequadamente. A atualização resultou em uma versão mais direta e prática, com oito capítulos, em comparação aos dez da edição anterior.

Implicações para Políticas Públicas

Ubirani Otero acredita que as novas diretrizes também poderão contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas eficazes. Ao reconhecer tipos de câncer em determinadas regiões, os profissionais podem investigar a exposição a agentes nocivos ao longo da vida laboral dos trabalhadores. Isso possibilita uma abordagem mais direcionada na busca por soluções preventivas.

Fatores Sinérgicos e Notificações

O tabagismo, por exemplo, é um conhecido fator de risco para o câncer de pulmão. No entanto, a exposição a outros agentes pode potencializar esse risco. As notificações de casos ajudam as equipes de vigilância a identificar atividades profissionais que contribuem para o desenvolvimento de câncer, permitindo intervenções preventivas adequadas.

Capacitação e Avanços na Vigilância

Durante o seminário, representantes de estados e municípios que já foram capacitados pelo Inca compartilharam suas experiências em notificações com base nas diretrizes anteriores. Com a nova versão, espera-se que esses profissionais tenham um suporte ainda mais robusto em seu trabalho.

Conceito de Avanço Científico

Essas diretrizes atualizadas não apenas seguem os parâmetros da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), mas também refletem um avanço significativo no reconhecimento de mais tipos de câncer. A transição de 19 para 50 tipos é vista como um marco importante na luta contra o câncer relacionado ao trabalho.

Com essas diretrizes, o Inca reafirma seu compromisso em proteger a saúde dos trabalhadores e promover um ambiente de trabalho mais seguro e saudável, contribuindo assim para a qualidade de vida e bem-estar da população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br