© Marcello Casal jr/Agência Brasil
Compartilhe essa matéria

Avanços na medicina e na qualidade de vida têm permitido que as pessoas vivam mais tempo, um triunfo inegável da saúde pública. Contudo, essa longevidade vem acompanhada de um desafio crescente: a prevalência de múltiplas doenças crônicas. Um relatório recente, publicado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), lança luz sobre essa complexa realidade, alertando que as Doenças Não Transmissíveis (DNTs) estão remodelando as sociedades e impondo uma nova carga aos indivíduos e aos sistemas de saúde.

O Cenário das Doenças Não Transmissíveis

Doenças cardíacas, câncer, diabetes e enfermidades pulmonares crônicas, coletivamente conhecidas como DNTs, afetam atualmente milhões de pessoas a mais do que na geração anterior, e as projeções indicam um agravamento contínuo. O documento da OCDE sublinha que essas condições não apenas encurtam a expectativa de vida, mas também comprometem significativamente a qualidade de vida, reduzem a capacidade de trabalho e, consequentemente, impulsionam os gastos com saúde, diminuindo a produtividade e o retorno econômico geral das nações.

A Prevenção como Pilar Fundamental

Diante desse panorama, a OCDE enfatiza que grande parte dos impactos negativos das DNTs é evitável. A organização aponta para a importância crucial de ações voltadas para a gestão dos fatores de risco à saúde, o diagnóstico precoce e o aprimoramento contínuo dos tratamentos. A análise do relatório demonstra que investir em prevenção gera benefícios sociais e econômicos substancialmente maiores do que o tratamento tardio das enfermidades. Países que conseguem reduzir a incidência de condições como obesidade e tabagismo, que figuram entre os principais riscos à saúde, não só salvam vidas, mas também aliviam a pressão sobre os orçamentos da saúde pública.

Tendências Preocupantes e Seus Fatores Contribuintes

Apesar de décadas de esforços globais para conter as DNTs, os dados compilados pela OCDE revelam um aumento persistente em sua prevalência. Entre 1990 e 2023, houve um crescimento notável: a prevalência de câncer e de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) aumentou 36% e 49%, respectivamente, enquanto as doenças cardiovasculares registraram um acréscimo de mais de 27%. Em 2023, a situação era ainda mais grave, com uma em cada dez pessoas nos países-membros da OCDE convivendo com diabetes e uma em cada oito afetada por doenças cardiovasculares.

A organização identifica três razões primordiais para esse incremento contínuo. Primeiramente, embora tenha havido progressos na redução de certos fatores de risco, como a poluição do ar, o tabagismo, o consumo nocivo de álcool e a inatividade física, esses avanços foram substancialmente ofuscados pelo aumento acentuado da obesidade. Em segundo lugar, a melhoria nas taxas de sobrevivência, embora seja um sucesso inegável da saúde pública, significa que mais pessoas vivem por períodos mais longos com doenças crônicas, o que naturalmente eleva a demanda e a complexidade dos serviços de saúde. Por fim, o envelhecimento populacional global faz com que uma parcela maior da população atinja as faixas etárias em que as DNTs são mais comuns, contribuindo significativamente para o aumento geral dos casos.

Projeções Futuras e Desafios Emergentes

As projeções da OCDE para as próximas décadas são igualmente desafiadoras. O relatório prevê que, mesmo que a prevalência dos fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam constantes, o número de novos casos de DNTs deverá crescer 31% na área da OCDE entre 2026 e 2050, impulsionado unicamente pelo envelhecimento demográfico. Além disso, a prevalência de multimorbidade – a combinação de múltiplas doenças crônicas ou agudas – deverá aumentar em 75% nos países da OCDE (e 70% na União Europeia). Consequentemente, a despesa anual per capita com saúde relacionada a doenças não transmissíveis está projetada para crescer mais de 50% na OCDE, sinalizando uma pressão financeira sem precedentes sobre os sistemas de saúde.

Este cenário complexo exige uma reavaliação urgente das estratégias de saúde pública. A longevidade, por si só, não garante uma vida saudável ou produtiva se for acompanhada por uma carga crescente de doenças crônicas. As descobertas da OCDE servem como um chamado à ação para que governos, sistemas de saúde e indivíduos priorizem a prevenção e o manejo eficaz das DNTs, garantindo que o aumento da expectativa de vida se traduza em anos de vida com mais qualidade e bem-estar para todos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Você Também Pode Gostar

Barueri abre novos cursos de geração de renda 

Compartilhe essa matéria
Compartilhe essa matéria A Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social de Barueri…

Osasco abre canal de denuncias nos casos de dengue através do WhatsApp da Central 156

Compartilhe essa matéria
Compartilhe essa matériaOs moradores de Osasco agora têm à disposição uma opção…

Barueri constrói mais uma UBS para ampliar atendimento de saúde e avança no Jd.Belval  

Compartilhe essa matéria
Compartilhe essa matéria   A Prefeitura de Barueri, por meio da Secretaria…

Meio Ambiente reforça a divulgação do programa de Coleta Seletiva de Barueri

Compartilhe essa matéria
Compartilhe essa matéria A Secretaria de Recursos Naturais e Meio Ambiente (Sema),…