G1
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O Piauí tem registrado um aumento alarmante de ocorrências de incêndio em veículos, gerando preocupação entre motoristas e autoridades. Somente nos primeiros meses de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar do Piauí (CBMEPI) já atendeu a dez chamados, o que acende um alerta para a segurança automotiva no estado. O cenário é grave, com carros, alguns recém-adquiridos e de alto valor, sendo completamente consumidos pelas chamas. Diante dessa realidade, o CBMEPI reforça a necessidade de conscientização e medidas preventivas para mitigar os riscos e proteger vidas e patrimônio.

Estatísticas em Ascensão: A Realidade dos Incêndios Veiculares no Piauí

Os dados compilados pelos bombeiros revelam uma tendência preocupante na incidência de incêndios em automóveis no estado. Em 2026, até o dia 20 de março, foram contabilizadas 10 ocorrências, distribuídas em cinco casos em janeiro, um em fevereiro e quatro em março. Embora o primeiro trimestre de 2025 tenha registrado um número maior, com 20 incêndios atendidos (oito em janeiro, nove em fevereiro e três em março), a persistência desses eventos em 2026, atingindo um total de dez casos em menos de três meses, sinaliza um problema contínuo que demanda atenção. Essa recorrência motivou uma análise aprofundada por parte das autoridades, em busca de identificar as raízes e as melhores estratégias de combate e prevenção.

Causas Prevalentes: Falhas Elétricas e Problemas Mecânicos

Segundo o Capitão Marcos Paulo, do CBMEPI, a investigação das causas aponta para falhas elétricas como o principal vetor desses incidentes. 'Não diria a principal, mas a mais significativa, a mais potencial, em virtude de dados e estatísticas', explicou o capitão, ressaltando a relevância dessa origem nos incêndios veiculares. Essa categoria de falhas abrange desde fiações comprometidas até sistemas eletrônicos defeituosos que podem gerar curtos-circuitos e superaquecimento.

Além dos problemas elétricos, o oficial dos bombeiros destaca que questões mecânicas também contribuem significativamente para o risco de incêndios. O superaquecimento de componentes do veículo, provocado por falhas no sistema de arrefecimento, atrito excessivo ou em outras partes móveis, pode ser o gatilho para o início das chamas, transformando uma pane comum em uma situação de emergência de grande perigo e rápida destruição.

Estratégias de Prevenção: Manutenção e Consciência Essenciais

A principal ferramenta contra os incêndios em veículos, conforme o CBMEPI, reside na manutenção automotiva rigorosa. A adoção de uma cultura de manutenção, tanto preventiva quanto corretiva, é vista como essencial para evitar danos maiores e situações de risco. 'É importante que todos que possuem veículos tenham a cultura de manter o veículo sempre com a manutenção em dia', enfatiza o Capitão Marcos Paulo, que adverte para o cuidado constante com os sistemas críticos do automóvel.

A atenção deve ser redobrada com o sistema de arrefecimento, que é crucial para manter a temperatura ideal do motor e evitar o superaquecimento, uma causa comum de ignição. Outra recomendação vital é a de evitar o transporte de substâncias combustíveis ou inflamáveis dentro do veículo, como recipientes de gasolina, thinner ou outros produtos químicos voláteis. A presença desses materiais pode acelerar a propagação do fogo e aumentar a sua intensidade, transformando um pequeno incidente em uma destruição total em questão de minutos.

Como Agir em Caso de Emergência: O Protocolo de Segurança

Ao menor sinal de um problema, como fumaça, cheiro de queimado ou falhas elétricas repentinas, a rapidez na reação é crucial para evitar a escalada do incêndio. A orientação é clara: 'Se possível, desligar imediatamente o veículo, retirar a chave da ignição e ligar para o 193, acionando o serviço de emergência', instrui Marcos Paulo. Essa sequência de ações pode ganhar segundos preciosos e limitar os danos, além de garantir a segurança dos ocupantes.

O uso do extintor veicular pode ser uma medida de combate inicial, mas com ressalvas. 'Se o motorista dispuser de extintor, pode tentar identificar o foco e fazer o combate inicial do princípio de incêndio, enquanto a guarnição chega', pondera o capitão, alertando que o dispositivo é eficaz apenas no estágio inicial do fogo e somente se houver condições de segurança para o ocupante. Em situações onde o fogo já está avançado, a prioridade deve ser a evacuação segura e o acionamento dos profissionais, sem se expor a riscos desnecessários.

Incidentes Recentes Reforçam a Necessidade de Vigilância

Os casos registrados em 2026 ilustram a diversidade e a imprevisibilidade desses eventos, servindo como alertas concretos para a população piauiense. Em janeiro, um carro seminovo foi consumido pelas chamas na Zona Leste de Teresina, com a suspeita inicial de pane elétrica. Em fevereiro, um veículo, adquirido há apenas oito meses e ainda financiado, foi completamente destruído após incendiar-se na PI-238, no sul do estado. Março trouxe dois incidentes de destaque na capital: um carro que pegou fogo logo após ser ligado no bairro Lourival Parente, e outro automóvel, avaliado em cerca de R$ 155 mil, que foi totalmente destruído após pegar fogo na Estrada da Alegria. Esses episódios reforçam a urgência das recomendações dos bombeiros e a importância da adoção de práticas preventivas por todos os condutores.

A recorrência de incêndios veiculares no Piauí é um lembrete contundente da importância da responsabilidade do proprietário. Manter a manutenção do veículo em dia, estar ciente dos riscos e saber como agir em uma emergência são atitudes que podem salvar vidas e evitar perdas significativas. O Corpo de Bombeiros Militar do Piauí continua a monitorar a situação e a prestar o serviço essencial de resposta, mas a prevenção individual e coletiva continua sendo a melhor ferramenta contra esse perigo que se espalha pelas estradas e ruas do estado, protegendo a comunidade e o patrimônio de todos.

Fonte: https://g1.globo.com