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As Olimpíadas de Inverno de Milão-Cortina, na Itália, começaram com uma realidade preocupante: 85% da neve usada nas competições será artificial, de acordo com dados do Instituto Talanoa. Essa dependência da neve produzida artificialmente tem se intensificado desde os Jogos de Sochi 2014, refletindo os impactos do aquecimento global.

Produção de Neve e Consumo de Água

Para viabilizar as provas, os organizadores dos Jogos de Inverno de Milão-Cortina vão produzir 2,4 milhões de metros cúbicos de neve artificial, o que demandará 946 milhões de litros de água. Essa quantidade de água é tão significativa que pode ser comparada a transformar o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, em um grande reservatório, preenchendo um terço do espaço.

Tecnologia e Necessidade de Neve Artificial

A dependência da tecnologia para gerar neve tem sido uma tendência nos Jogos de Inverno recentes. Em eventos anteriores, como Sochi (2014), PyeongChang (2018) e Pequim (2022), a proporção de neve artificial utilizada tem aumentado consideravelmente. Isso se deve ao encurtamento dos invernos e à dificuldade de manter a neve natural, causados pelo aquecimento global.

Impactos Além do Esporte

A redução da neve natural não afeta apenas os Jogos de Inverno, mas também tem consequências mais amplas no sistema climático. Invernos mais quentes e menos previsíveis estão relacionados a mudanças significativas. A diminuição da neve natural impacta a disponibilidade de água, a produtividade dos rios, o turismo de montanha e os ecossistemas adaptados ao frio, afetando economias locais e modos de vida.

Tradições em Transformação

Criados em 1924 nos Alpes franceses, os Jogos Olímpicos de Inverno surgiram em áreas com abundância de neve natural. No entanto, os dados atuais refletem uma realidade diferente, indicando que sem o uso de máquinas, canhões de neve e grandes volumes de água, o evento não seria viável. Isso evidencia como as mudanças climáticas estão remodelando tradições globais consolidadas, conforme a necessidade de neve artificial se torna cada vez mais premente.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br