Uma investigação revelou um esquema de assédio a segurados do INSS em Brasília, onde indivíduos abordam pessoas na porta de agências, prometendo agilizar a concessão de benefícios previdenciários. Esses “puxadores” oferecem os serviços de advogados, muitas vezes sem a ciência ou consentimento dos próprios profissionais.
Em um dos flagrantes, uma mulher, sem saber que estava sendo gravada, ofereceu os serviços de uma advogada, alegando que a profissional tinha acesso ao sistema do INSS e poderia verificar o status dos pedidos de perícia. Ela também informou que os honorários seriam de 30% sobre o valor da causa ganha.
Outro homem, também flagrado, ofereceu um cartão de um suposto advogado, afirmando que sua equipe realizava diversos serviços, incluindo BPC e Previdência, cobrando uma taxa de 30%. Questionado sobre sua qualificação, ele se identificou como advogado.
Em um confronto posterior, a mulher que inicialmente ofereceu os serviços de advocacia negou qualquer envolvimento com a área. Ao questionar um homem que estava próximo a ela, a equipe foi agredida, resultando em um boletim de ocorrência na Polícia Civil.
Os escritórios indicados pelos “puxadores” apresentaram versões conflitantes. A suposta advogada negou ser a pessoa do cartão, enquanto o outro escritório confirmou a prática de abordar segurados em frente à unidade do INSS, admitindo que a ação era realizada em dias alternados.
O INSS reconhece que o assédio de “puxadores” ocorre em agências de todo o país, expondo os segurados a golpes em um momento de vulnerabilidade. A autarquia alerta para que as pessoas não acreditem em promessas de facilidades e desconfiem de quem cobra para “acelerar” o pedido, pois não existem atalhos.
O presidente do INSS enfatizou que esses “puxadores” não são regulamentados e, muitas vezes, são criminosos que buscam enganar os segurados. Ele reforçou que o uso do aplicativo Meu INSS ou o agendamento de atendimento presencial são as formas corretas de buscar os benefícios, sem a necessidade de intermediários.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou a prática de captação irregular de clientela, especialmente nas imediações de agências do INSS, classificando a oferta de serviços advocatícios por “puxadores” como infração ética grave.
Fonte: g1.globo.com