A morte da cabo do Exército, Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, ocorrida na tarde da última sexta-feira, está sendo investigada como feminicídio pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
De acordo com a 2ª Delegacia Policial (DP) da Asa Norte, o soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, confessou ser o autor do crime e permanece detido no Batalhão da Polícia do Exército, em Brasília.
Em vídeo divulgado pela PCDF, o delegado Paulo Noritika, chefe da 2ª DP, relatou que o soldado admitiu que o assassinato foi motivado por uma discussão com a vítima. O autor confesso alegou que Maria de Lourdes exigiu que ele rompesse o relacionamento com sua namorada e assumisse um compromisso com ela. Contudo, a família da vítima nega qualquer envolvimento amoroso entre os dois.
O delegado Noritika informou que o soldado não possuía antecedentes criminais. “O autor está sob custódia no Serviço de Guarda do Exército e responderá por feminicídio, furto de arma, incêndio e fraude processual, podendo ser condenado a 54 anos de prisão”, afirmou.
O corpo da cabo Maria de Lourdes foi encontrado na tarde de sexta-feira, por volta das 16h, carbonizado e com um corte no pescoço. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) foi acionado para conter um incêndio no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas (RGC), no Setor Militar Urbano. Os bombeiros confirmaram a presença de grande quantidade de combustível no local após a extinção das chamas.
Maria de Lourdes Freire Matos era saxofonista na banda do regimento. O 1º RCG lamentou o falecimento da cabo por meio de nota nas redes sociais, ressaltando sua dedicação, profissionalismo e compromisso com o serviço prestado na fanfarra.
O Exército Brasileiro comunicou que o soldado foi preso em flagrante após a confissão. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM) e o autor deverá ser excluído da Força Militar. A corporação declarou estar prestando assistência à família da vítima e reiterou que não tolera atos criminosos, punindo com rigor os responsáveis.
O caso se junta a outros feminicídios recentes. No dia 28, duas funcionárias de um Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) no Rio de Janeiro foram mortas a tiros por um colega, que posteriormente se suicidou. Em São Paulo, uma mulher de 31 anos teve as pernas severamente mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro. Também na capital paulista, um homem atirou contra sua ex-companheira em uma pastelaria. No Recife, um homem foi preso sob suspeita de provocar um incêndio que matou sua esposa, grávida, e os quatro filhos do casal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou sobre a onda de feminicídios, pedindo o engajamento dos homens para mudar a cultura da violência de gênero.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br