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A Polícia Civil descarta a hipótese de que Júlia Moretti, presa sob suspeita de envolvimento em um roubo milionário a um prédio de alto padrão em Ribeirão Preto, seja uma das líderes da organização criminosa. De acordo com o delegado responsável pelas investigações, embora Júlia tenha participado ativamente do crime, inclusive sem usar disfarces, ela teria sido recrutada por outros membros do grupo após uma viagem ao litoral paulista.

“Júlia foi cooptada, participou ativamente, principalmente na parte logística, dando o seu nome para o aluguel do apartamento no nono andar. Ela participou também ativamente do roubo, mas ela não é uma das líderes. Na verdade, ela foi cooptada e, com entusiasmo, participou”, afirmou o delegado.

Júlia, suspeita de participação no roubo milionário, se entregou à Polícia Civil dois meses após o crime, em Araçatuba, onde reside. Ela optou por permanecer em silêncio durante o primeiro interrogatório, mas deverá prestar depoimento nos próximos dias. Com a prisão de Júlia, 15 dos 17 suspeitos identificados estão agora sob prisão preventiva. O inquérito policial foi concluído e encaminhado ao Ministério Público. Um homem e uma mulher permanecem foragidos.

Segundo o advogado de defesa de Júlia, a jovem trabalhava como acompanhante de luxo e teria sido abordada para participar do roubo durante um de seus encontros. Ele alega que, após o convite, Júlia foi coagida a continuar envolvida no crime. Inicialmente, a participação dela seria apenas tirar fotos do apartamento usado para acessar o prédio das vítimas, mas as ameaças contra sua filha a forçaram a prosseguir. “A pessoa disse: ‘você quer voltar atrás? Não tem mais jeito. Você conhece o plano, você viu a nossa cara, mas se você quiser voltar atrás, eu tenho um negócio para te mostrar’. Aí mostrou a foto da casa, da filha dela, e disse: ‘a opção é sua'”, relatou o advogado.

O roubo ocorreu em setembro, quando um edifício de alto padrão foi invadido por assaltantes. Moradores e prestadores de serviço foram rendidos, resultando na invasão de seis apartamentos e no roubo de joias. O planejamento do crime envolveu o aluguel prévio de um apartamento no mesmo condomínio, utilizando documentos falsos para facilitar a entrada e a circulação dos criminosos.

As investigações apontam que Júlia foi responsável por alugar o imóvel usado pela quadrilha, apresentando documentos falsos e pagando R$ 12 mil de caução. Estima-se que cada membro do grupo tenha recebido cerca de R$ 15 mil com a venda das joias roubadas, e o prejuízo total às vítimas pode ultrapassar os R$ 4 milhões.

Fonte: g1.globo.com

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