A Justiça deu início à fase de instrução do caso que investiga a morte do empresário Rogério Salomão, de 52 anos, e de sua advogada, Lilian Jorge, de 50, assassinados em outubro do ano passado em Jardinópolis, interior de São Paulo. As primeiras audiências com testemunhas foram realizadas virtualmente nesta quinta-feira (6).
O crime, comoveu a região e, segundo as investigações, teve como motivação uma disputa por herança familiar. As vítimas foram baleadas dentro de um galpão da família Salomão, enquanto aguardavam a chegada de Carlos, irmão de Rogério, para formalizar a entrega do imóvel.
Carlos, réu no processo, foi preso em agosto, na Bahia, juntamente com seu filho, Bruno Carlos Orioli, sobrinho de Rogério, e um funcionário da família, Wagner Queiroz do Nascimento. Todos acompanharam as oitivas virtualmente, já que estão detidos fora do estado de São Paulo.
Entre as sete testemunhas ouvidas estão dois policiais militares, um corretor de imóveis que possuía a chave do galpão no dia do crime, além de outros irmãos de Rogério Salomão e Lilian Jorge. Duas outras testemunhas tiveram seus nomes mantidos em sigilo, por estarem sob proteção judicial.
Os depoimentos marcam o início da fase de instrução do caso, com previsão de duração de até 90 dias. Ao final desse período, a Justiça deverá decidir se os réus serão pronunciados, ou seja, levados a júri popular em Jardinópolis.
A defesa de Bruno Orioli nega a participação do cliente no crime. Os advogados dos demais réus não se manifestaram.
Rogério Salomão e Lilian Jorge foram mortos a tiros em 30 de outubro de 2024, dentro de um galpão localizado na Vila Reis. O imóvel pertencia ao pai de Rogério e Carlos, Márcio Salomão, empresário falecido em 2022.
De acordo com o boletim de ocorrência, Rogério estava no local para receber de Carlos a chave do imóvel e assinar os termos de entrega e vistoria. No entanto, por volta das 10h30, ele e Lilian foram atingidos por cerca de 15 disparos de arma de fogo.
A perícia encontrou dezenas de cápsulas de armas de calibres 9 milímetros e 380, além de marcas de sangue a poucos metros de onde as vítimas foram encontradas. Um terceiro irmão, Diego Salomão, relatou à polícia ter visto Carlos deixar o galpão com um objeto semelhante a uma arma de fogo logo após o crime. A prisão de Carlos foi decretada dois dias depois, mas ele permaneceu foragido por meses.
Segundo o delegado responsável pelas investigações, a disputa entre os irmãos pela herança do pai, dono de uma rede de supermercados, era marcada por ameaças. Antes dos assassinatos, Carlos estava prestes a entregar as chaves do galpão a Rogério. Além disso, Carlos havia movido uma ação contra Rogério relacionada a outro imóvel da família que não teria sido incluído no inventário. Em outubro deste ano, o galpão foi atingido por um incêndio, cujas causas ainda estão sendo investigadas.
Fonte: g1.globo.com