© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está se preparando para enfrentar os desafios impostos pelo uso de deep fakes durante as campanhas eleitorais. Na última terça-feira, 25, o ministro André Mendonça apresentou uma proposta de tese jurídica que visa orientar os julgamentos relacionados à utilização indevida dessa tecnologia nas redes sociais.

Definição e Impacto das Deep Fakes

As deep fakes são conteúdos digitais manipulados, criados com o uso de inteligência artificial, com o intuito de prejudicar candidatos. A prática é considerada ilegal pelo TSE, que já estabeleceu normas para coibir a disseminação desse tipo de conteúdo. Mendonça argumenta que é crucial distinguir entre o uso legítimo de conteúdos sintéticos e as deep fakes que podem criar confusão e desinformação entre os eleitores.

Proposta de Tese pelo Ministro Mendonça

A proposta do ministro inclui uma definição clara do que constitui uma deep fake: "considera-se deep fake o conteúdo sintético de áudio, vídeo ou uma combinação dos dois que, por meio da criação, substituição ou alteração digital de imagem ou voz, consiga enganar o espectador a ponto de gerar uma falsa percepção de autenticidade". Essa definição é fundamental para que o TSE possa aplicar a lei de forma justa e eficaz.

Contexto da Proposta

A iniciativa de Mendonça surge em resposta a um caso específico em que um vídeo com imagens do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro foi questionado. A campanha alegou que as imagens eram geradas por inteligência artificial e não refletiam a realidade, levando o ministro a decidir pela remoção do material. A ação reforça a necessidade de regulamentação clara para proteger a integridade das campanhas eleitorais.

Discussões Recentes no TSE

Na semana anterior à proposta, os ministros do TSE se reuniram para discutir estratégias de combate às deep fakes. Convocada pelo presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, a reunião foi realizada a portas fechadas, sem divulgação de detalhes, mas gerou expectativas sobre a implementação de medidas concretas em breve. A intenção é que as deliberações sobre o tema sejam aplicadas nas próximas sessões.

Regras sobre Inteligência Artificial nas Eleições

Em março, o TSE já havia estabelecido diretrizes sobre o uso de inteligência artificial nas eleições de outubro, abrangendo candidatos e partidos. Entre as regras, destaca-se a proibição de que provedores de IA sugiram candidatos aos eleitores, visando garantir que a escolha permaneça livre de influências algorítmicas. Além disso, o tribunal tomou medidas para combater a misoginia digital, banindo montagens e conteúdos de nudez envolvendo candidatas.

Responsabilidade dos Provedores de Internet

O TSE também estabeleceu que os provedores de internet têm a obrigação de remover perfis falsos e postagens ilegais, podendo ser responsabilizados judicialmente caso não cumpram essa determinação. Essa abordagem visa criar um ambiente mais seguro e confiável para os eleitores, especialmente em tempos de campanhas intensas.

Conclusão

A proposta de tese apresentada por André Mendonça representa um passo significativo na luta contra as deep fakes, contribuindo para a segurança jurídica nas eleições. Com a crescente utilização de tecnologias digitais, é essencial que o TSE continue a desenvolver e implementar estratégias que garantam a integridade do processo eleitoral e a proteção dos direitos dos eleitores. O acompanhamento das deliberações futuras será crucial para entender como o tribunal se adaptará a esses novos desafios.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br