© Alessandra Cabral/CPB
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Em um marco histórico, o Brasil finalizou a Paralimpíada de Paris em 2024 entre as cinco nações de destaque no esporte adaptado, alcançando um total impressionante de 462 medalhas em sua trajetória nas competições paradesportivas. Esta jornada notável teve início há cinco décadas, quando Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa conquistaram a primeira medalha do país, uma prata no lawn bowls, um esporte similar à bocha que já não faz parte do programa paralímpico.

Homenagem ao Passado

As medalhas conquistadas foram exibidas em uma cerimônia especial no Centro de Treinamento Paralímpico, localizado em São Paulo, no dia 6 de agosto, data que coincide com o aniversário de 50 anos da conquista histórica em Toronto, no Canadá. Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, sublinhou a importância de recontar essa história, destacando que o avanço do esporte paralímpico atual é resultado do esforço de pessoas como seu tio, que lutaram por reconhecimento e oportunidades no passado.

A Trajetória de Robson Sampaio

Robson, que criou a instituição Clube do Otimismo em 1958 para apoiar pessoas com deficiência, enfrentou enormes desafios em sua jornada. Após um acidente que o deixou paraplégico, ele utilizou sua indenização para fundar o clube e proporcionar reabilitação a aqueles sem recursos. Noêmia recorda que, na época, não havia políticas públicas de apoio ao paradesporto, e Robson frequentemente buscava ajuda de autoridades para garantir o financiamento necessário para a representação brasileira em competições internacionais.

Amizade e Colaboração no Esporte

Luiz Carlos, que foi um dos beneficiados pelo Clube do Otimismo, desenvolveu uma profunda amizade com Robson. Também conhecido como 'Curtinho', ele, hoje com 79 anos, enfrenta desafios relacionados ao Alzheimer. Paulo Robson de Almeida, sobrinho de Robson, relembra a dinâmica entre os dois, ressaltando como eles se tornaram figuras centrais no basquete em cadeira de rodas e como Luiz Carlos contribuía com suporte técnico durante as competições.

A Conquista que Mudou a História

A participação de Robson e Luiz Carlos nos Jogos de Toronto não se limitou ao basquete em cadeira de rodas. Eles foram convidados a competir no lawn bowls, onde surpreenderam ao garantir a medalha de prata, terminando atrás apenas de uma dupla australiana. Essa conquista não só marcou o início da trajetória brasileira nos Jogos Paralímpicos, mas também simbolizou a luta e a resiliência de todos os atletas com deficiência.

Evolução do Paradesporto no Brasil

Desde a medalha de 1976, o cenário do paradesporto no Brasil passou por transformações significativas. A criação do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em 1995 e sua inclusão no Sistema Nacional do Desporto garantiram um suporte mais robusto para os atletas. Com a implementação de legislações que alocam recursos de loterias federais para o desenvolvimento do esporte adaptado, o país vem avançando na formação de novas gerações de atletas e na melhoria de suas condições de treinamento.

Legado e Impacto Social

O Centro de Treinamento Paralímpico, inaugurado em 2016, representa um dos mais importantes legados dos Jogos do Rio de Janeiro, oferecendo oportunidades para jovens de 7 a 17 anos com deficiências. Além de ser um espaço para o aprimoramento esportivo, ele também promove a inclusão e a formação de atletas, perpetuando a luta de Robson e de outros pioneiros do paradesporto.

Noêmia Almeida finaliza destacando que a luta de Robson por reconhecimento e inclusão no mercado de trabalho permanece relevante, e que a celebração de sua medalha é, na verdade, a realização de um sonho coletivo. O impacto de sua perseverança ecoa nas conquistas atuais e no futuro do esporte paralímpico no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br