© Francisco Moreira da Costa/Divulgação
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A rica herança cultural da escultora indígena Conceição Freitas da Silva Antunes, mais conhecida como Conceição dos Bugres, será celebrada em uma nova exposição que reúne a família da artista. Nascida em 1914 no Rio Grande do Sul, Conceição obteve notoriedade através de suas obras entalhadas em madeira, que retratam figuras indígenas conhecidas como bugres. Considerada uma das maiores artesãs do Centro-Oeste brasileiro, suas esculturas são um testemunho da arte e da identidade cultural da região.

Continuidade do Legado Familiar

Após o falecimento de Conceição em 1984, seu marido Abílio Freitas da Silva e seu filho Ilton Silva deram sequência ao trabalho da artista. Atualmente, essa responsabilidade recai sobre o neto Mariano Antunes Cabral Silva, conhecido como Mariano Neto, que se inspira nas criações da avó. Mariano, junto com sua mãe Sotera Sanches, também escultora, apresenta pela primeira vez suas obras na capital fluminense, em uma mostra intitulada 'Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto', localizada na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro.

Detalhes da Exposição

A abertura da exposição está programada para esta quinta-feira (9), às 17h, com a presença de Mariano Neto. Os visitantes poderão conferir as obras de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos finais de semana e feriados, das 11h às 17h, até 9 de setembro. A entrada é gratuita, permitindo que um amplo público aprecie as tradições artesanais da família.

Comércio Justo e Preservação Cultural

Durante a mostra, o público terá a oportunidade de adquirir o catálogo e as obras expostas, que são vendidas pelo próprio artista. O preço é determinado de acordo com os princípios do comércio justo, assegurando que o valor reflita a essência cultural das peças, reservando apenas uma pequena porcentagem para a administração da loja do museu. A cada três meses, novas exposições são realizadas para dar continuidade a essa iniciativa.

Acervo do Museu de Folclore

O Museu de Folclore Edison Carneiro já abriga algumas obras de Conceição dos Bugres em seu acervo, que foram destacadas em uma exposição permanente. Segundo Flávia Klausing Gervásio, pesquisadora da mostra, embora a artista tenha alcançado reconhecimento em vida, seu legado foi intensificado após sua morte, com suas obras sendo valorizadas e expostas em importantes espaços, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e o Museu Afro.

Processo Criativo e Inovações

Mariano Neto, que desde a infância ajudava a avó na confecção das esculturas, decidiu dedicar sua carreira à produção das peças que perpetuam a tradição familiar. Apesar de ter explorado diferentes estilos anteriormente, ele se comprometeu a criar apenas os bugres após a perda de Conceição e Abílio. Sua mãe, Sotera, também contribui com a produção, apresentando totens que se diferenciam das obras de Conceição por não conterem cera ou tinta, mantendo a rusticidade da madeira.

Documentação e Preservação da Memória

Na década de 1970, o trabalho de Conceição dos Bugres foi registrado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, que documentou suas técnicas artísticas. Pesquisadores visitaram seu ateliê no Mato Grosso do Sul, capturando imagens que agora fazem parte do catálogo da exposição. Este esforço de documentação é parte do projeto 'Sala do Artista Popular', que visa preservar as tradições artísticas de artistas populares de todo o Brasil, promovendo a diversidade cultural.

Conclusão

A exposição que reúne as obras da família de Conceição dos Bugres não apenas celebra a memória da artista, mas também promove a continuidade de seu legado cultural. Através das novas gerações, a tradição dos bugres se mantém viva, permitindo que o público aprecie e valorize a rica tapeçaria da arte popular brasileira. O evento destaca a importância da preservação cultural e do reconhecimento da arte indígena, refletindo a história e identidade de um povo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br