© Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deu um passo decisivo na proteção do erário e dos direitos dos beneficiários da previdência estadual, ao ajuizar uma ação civil pública contra dirigentes do Rioprevidência. A iniciativa busca compelir os responsáveis a cobrir um rombo financeiro estimado em R$ 1,088 bilhão, alegadamente originado de investimentos questionáveis em títulos do Banco Master e de um controverso modelo de crédito. A medida judicial requisita o bloqueio de bens dos investigados e a adoção de ações para assegurar o ressarcimento aos cofres públicos.

A Ação Civil Pública e o Dano ao Fundo Previdenciário

A ação, impetrada pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (Gaesf) do MPRJ, visa evitar um prejuízo bilionário ao Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro. O cerne da questão reside na aquisição de títulos do Banco Master, instituição que atualmente se encontra em processo de liquidação extrajudicial, o que teria gerado o vultoso rombo nas contas do Rioprevidência. Para mitigar os riscos e garantir a recuperação dos valores, o Ministério Público solicitou, em caráter de tutela de urgência, o bloqueio imediato dos bens dos envolvidos no processo.

O Esquema CredCesta e o Superendividamento de Beneficiários

Além da controvérsia sobre os investimentos no Banco Master, a ação do MPRJ também questiona a legalidade e a transparência do modelo de crédito denominado CredCesta. Segundo a acusação, essa operação combinaria empréstimos consignados com cartões de crédito de uma forma pouco clara para os usuários. Essa alegada falta de transparência teria levado aposentados e pensionistas a um ciclo de endividamento contínuo, onde os descontos em folha de pagamento não resultavam na efetiva redução da dívida principal. O Ministério Público argumenta que tal prática viola o Código de Defesa do Consumidor e a Lei do Superendividamento, afetando diretamente indivíduos em situação de vulnerabilidade, como idosos e beneficiários previdenciários, e comprometendo sua renda de natureza alimentar.

Medidas Urgentes e os Envolvidos na Ação Judicial

Para salvaguardar os interesses públicos e dos beneficiários, o MPRJ requisitou uma série de medidas imediatas à Justiça. Entre elas, destacam-se a suspensão de todos os contratos associados ao CredCesta e o afastamento do atual presidente da autarquia, Nicholas Cardoso. Adicionalmente ao bloqueio de bens dos investigados, a ação demanda a implementação de providências que assegurem o integral ressarcimento aos cofres públicos. No rol dos que responderão à Justiça, além do próprio Banco Master e de seus envolvidos, estão a empresa PKL One Participações S.A., ex-dirigentes e atuais dirigentes do Rioprevidência, o Estado do Rio de Janeiro e a própria autarquia previdenciária.

A Defesa do Rioprevidência e Seus Esclarecimentos

Em resposta às acusações e à ação judicial, o Rioprevidência emitiu uma nota oficial, defendendo a gestão de seus investimentos. A autarquia afirmou que suas alocações se concentram majoritariamente em investimentos de renda fixa, com um montante de R$ 100 milhões especificamente aplicado em títulos públicos, o que, segundo o fundo, caracteriza uma estratégia de baixo risco. O Rioprevidência também fez questão de esclarecer que os recursos destinados a investimentos são distintos daqueles voltados para o pagamento de benefícios previdenciários, que pertencem aos Planos Financeiro e Previdenciário, garantindo a separação e segurança desses fundos.

A nota da autarquia ainda salientou que as recomendações do próprio Gaesf já vinham sendo implementadas sob a gestão do diretor de Administração e Finanças, Nicholas Ribeiro, e que um plano de ação na área de investimentos foi formalizado em processo SEI. O Rioprevidência concluiu seus esclarecimentos reiterando que todas as informações pertinentes foram enviadas ao MPRJ em tempo hábil e reafirmou seu compromisso com o pagamento pontual dos benefícios previdenciários, assegurando que as solicitações do Ministério Público continuarão a ser atendidas.

A ação do Ministério Público do Rio de Janeiro contra o Rioprevidência configura um momento crucial na defesa do patrimônio público e dos direitos dos beneficiários da previdência estadual. Ao buscar a recuperação de mais de R$ 1 bilhão e questionar práticas de investimento e modelos de crédito, o MPRJ acende um alerta sobre a gestão de fundos previdenciários e a proteção do consumidor. Enquanto a Justiça analisa os argumentos e provas apresentados, a população fluminense acompanha de perto o desenrolar deste caso que impacta diretamente a segurança financeira de milhares de servidores e pensionistas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br