Em 2025, o Brasil registrou uma significativa redução nas emissões de gases de efeito estufa, totalizando 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO2 equivalente. Este resultado representa uma queda de 9% em comparação com os 1,489 bilhão de toneladas emitidos em 2024, atingindo o menor patamar desde 2012.
Emissões Brutas e Remoção de Carbono
Ao considerar as emissões brutas, o país liberou 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente em 2025, o que indica uma diminuição de 6% em relação ao total de 2,19 bilhões de toneladas emitidos no ano anterior. Este também é o menor volume bruto desde 2018, evidenciando um progresso no controle de poluentes, mesmo sem contabilizar a remoção de carbono pelas áreas florestais e vegetação secundária.
Impacto do Desmatamento e Mudança de Uso da Terra
Um dos fatores determinantes para essa redução foi a diminuição do desmatamento, que é classificado como mudança de uso da terra. Em 2025, esse setor foi responsável por 814 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que representa uma queda de 15% em comparação com os 957 milhões de toneladas do ano anterior. A queda nas emissões líquidas para este setor foi ainda mais expressiva, com uma redução de 48%, atingindo 162 milhões de toneladas, o menor valor registrado na série histórica do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg).
Setores de Emissão e suas Variações
Em 2025, a maioria dos outros setores apresentou variações mínimas em suas emissões. A agropecuária, por exemplo, teve uma leve queda de 0,1%, totalizando 626 milhões de toneladas de CO2 equivalente. Por outro lado, o setor de energia viu um aumento de 1,2%, passando de 422 milhões para 427 milhões de toneladas. Já as emissões industriais mantiveram-se praticamente estáveis, com um leve aumento de 0,2%, somando 94 milhões de toneladas.
O setor de resíduos foi o que apresentou o maior crescimento, com um aumento de 3,6%, passando de 92 milhões para 96 milhões de toneladas. A mudança de uso da terra representa 39% das emissões brutas, enquanto a agropecuária contribui com mais 30%. Isso torna a agropecuária o maior emissor no Brasil, seguida pelo setor de energia, que responde por 21% das emissões totais.
Projeções e Metas Climáticas
Com essas reduções, o Brasil se aproxima de cumprir a meta estabelecida para 2025 em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que visa limitar as emissões líquidas a 1,32 bilhão de toneladas de CO2 equivalente. O país ficou a apenas 85 milhões de toneladas de alcançar essa meta, um resultado que reflete a queda do desmatamento na Amazônia e Cerrado.
David Tsai, coordenador do Seeg e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente, destaca que, apesar de o Brasil não ter atingido a meta, a proximidade é significativa e indica um caminho viável para os próximos anos. Para 2030, a nova meta busca reduzir as emissões para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2 equivalente.
Desafios Futuros
Embora a queda nas emissões por desmatamento seja um avanço considerável, Tsai alerta que, para alcançar as futuras metas climáticas, é crucial que os outros setores também iniciem um processo de redução em suas emissões. A continuidade do progresso dependerá de medidas efetivas em todos os segmentos da economia.