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O Fundo Monetário Internacional (FMI) apresentou uma revisão pessimista nas projeções de crescimento econômico para a América Latina e o Caribe, tanto para este ano quanto para o próximo. O relatório, intitulado 'Perspectiva Econômica Global', foi divulgado em Bangcoc nesta terça-feira (13) e destaca que a maioria dos países da região não está se beneficiando do recente avanço da inteligência artificial, ao contrário de outras economias que conseguiram mitigar os impactos da crise energética gerada pela guerra no Oriente Médio.

Novas Projeções de Crescimento

O FMI projeta um crescimento regional de 2,3% para 2023, uma queda em relação às previsões anteriores de 2,4% para 2026 e 2,5% para 2025. Além disso, a previsão para 2027 também foi reduzida de 2,7% para 2,5%. Essa tendência de revisão para baixo ocorre mesmo com o aumento nas expectativas de crescimento global, que subiram de 3% para 3,1%.

Impactos da Crise Energética

A guerra no Oriente Médio resultou em um aumento significativo nos preços da energia, elevando o custo do petróleo Brent em cerca de 45% em comparação com os níveis pré-conflito. Esse cenário tem gerado um choque inflacionário global que afeta tanto famílias quanto empresas, pressionando o financiamento e elevando os custos de vida. O FMI observa que, na América Latina, a capacidade de recuperação das economias depende da performance dos exportadores de commodities em relação aos importadores de energia, além da credibilidade das metas de inflação estabelecidas pelos bancos centrais.

Desempenho das Economias Latino-Americanas

A Argentina é um dos países que mais sofreu com as revisões, com uma previsão de crescimento reduzida para 2,1% em 2023, uma queda acentuada em relação aos 3,5% esperados anteriormente. O FMI também prevê uma diminuição na inflação argentina, que deve cair para 32,5%, comparada aos 41,9% projetados para 2025. No caso do Brasil, a expectativa agora é de um crescimento de 2,2% para este ano, com uma projeção de 1,9% para 2027, refletindo um cenário de incertezas econômicas e políticas.

O Caso do México

O México, por outro lado, teve sua previsão de crescimento para 2026 elevada de 1,2% para 1,5%, impulsionada por um aumento nas exportações e um investimento que começa a se estabilizar. No entanto, a estimativa para 2027 foi reduzida de 1,9% para 1,8%, evidenciando que incertezas comerciais ainda podem impactar negativamente sua economia.

Cenário Geral e Riscos Futuro

O relatório do FMI também aponta que a desaceleração do crescimento afetará outros países da região. O Chile verá uma redução de sua taxa de crescimento de 2,5% para 0,6% e a Bolívia enfrentará uma contração de 3%, após já ter registrado uma queda de 1,6% em 2025. A inflação na Venezuela, por sua vez, deve disparar de 252% para 467,9%, refletindo um quadro econômico desafiador.

Os riscos para a região permanecem elevados, uma vez que a instabilidade nos mercados globais pode afetar negativamente as economias emergentes. O FMI alerta que isso pode resultar em custos mais altos de endividamento e pressão sobre as moedas locais, além de condições financeiras mais restritivas.

Conclusão

Em suma, as novas projeções do FMI para a América Latina e o Caribe revelam um cenário desafiador, com crescimento abaixo do esperado e uma série de fatores que dificultam a recuperação econômica. O impacto da crise energética, somado às incertezas políticas e econômicas, exige atenção redobrada das autoridades e uma estratégia eficaz para navegar por esse período instável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br