© Reuters/Michael Kappeler/Proibida reprodução
Compartilhe essa matéria

Durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou sua oposição às iniciativas globais de regulação da Inteligência Artificial (IA). Em seu discurso, ele enfatizou que os EUA não aceitam tentativas de criar um controle internacional sobre essa tecnologia, destacando a importância da liderança americana no setor.

Rejeição às Iniciativas de Governança

Trump declarou que os EUA rejeitam veementemente qualquer proposta que busque estabelecer um esquema globalista para regular a IA. Ele argumentou que essa posição contrasta com o movimento de outros países que visam formar alianças para um multilateralismo que promova regulamentações internacionais. O presidente defendeu que a liberdade no desenvolvimento da tecnologia é crucial para assegurar a vantagem competitiva do país.

Diferentes Abordagens entre EUA e China

O discurso de Trump também ressaltou a disputa entre EUA e China na área da IA. Enquanto os EUA propõem um sistema de desenvolvimento com 'parceiros confiáveis', a China convida nações a se unirem em uma governança baseada em códigos abertos. Essa diferença de abordagem evidencia a competição global em torno do controle e do desenvolvimento tecnológico.

Desenvolvimento Sem Limites

No discurso, Trump reforçou sua crença de que os EUA devem avançar sem impor limites ao desenvolvimento da IA. Ele afirmou que o país está à frente de outras nações e que essa vantagem deve ser mantida, considerando a tecnologia como um motor para uma revolução maior do que a Revolução Industrial. Essa visão é contestada por líderes do setor, que pedem uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento devido a preocupações com segurança e controle.

Preocupações Econômicas e de Segurança

Economistas alertam para o risco de uma 'bolha' no setor de IA, citando o alto nível de investimentos em projetos cujos retornos são incertos. O Banco de Compensações Internacionais (BIS) destacou que a competição intensa pode levar empresas a investir excessivamente em tecnologias que ainda não têm um retorno garantido, o que poderia resultar em crises financeiras com efeitos negativos na economia global.

Mudança de Terminologia: 'Superinteligência'

Durante seu discurso, Trump anunciou uma mudança de nomenclatura, propondo que a IA passe a ser chamada de 'superinteligência'. Ele justificou essa alteração ao afirmar que o termo 'artificial' poderia dar a impressão de que a tecnologia é menos real. Especialistas, como Ettore Arpini, alertam que essa mudança pode confundir mais do que esclarecer, favorecendo a narrativa dos EUA sobre a liderança na área.

Análise Crítica do Uso do Termo 'Inteligência'

Críticos da IA, como o cientista brasileiro Miguel Nicolelis, argumentam que o termo 'inteligência' é uma simplificação que não reflete a realidade das capacidades dessas tecnologias. Para eles, essa terminologia serve mais como uma estratégia de marketing das empresas de tecnologia do que uma descrição precisa das funcionalidades dos sistemas.

Conclusão

O discurso de Trump na ONU destaca uma clara resistência dos EUA em adotar uma abordagem colaborativa em relação à regulação da IA. A divisão entre as estratégias americana e chinesa reflete a complexidade da governança tecnológica em um mundo cada vez mais interconectado. Enquanto os debates sobre segurança e desenvolvimento continuam, a terminologia e as narrativas em torno da IA também evoluem, influenciando a percepção pública e a política global neste campo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br