© Marcelo Camargo/Agência Brasil
Compartilhe essa matéria

A violência política de gênero contra mulheres no Brasil tem se tornado uma preocupação crescente nos últimos anos. Esse fenômeno, que se manifesta de várias formas, incluindo intimidações, ataques à honra, ameaças e até assassinatos, agrava a já delicada situação da representação feminina na política. Exemplos trágicos, como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018 e os ataques sofridos pela deputada Maria do Rosário em 2014, ilustram a gravidade e a complexidade dessa problemática.

Aumento Significativo nos Casos de Violência

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um aumento impressionante no número de processos relacionados à violência política de gênero. Em apenas quatro anos, o total de casos encaminhados à Justiça Eleitoral saltou de 15 em 2022 para 177 até setembro de 2026, refletindo um crescimento superior a 11 vezes. Este aumento alarmante destaca a urgência de medidas efetivas para combater essa forma de violência.

Denúncias e Tipos de Violência

Desde 2018, o Ministério Público Federal (MPF) registrou 436 denúncias de violência política de gênero, com um perfil preocupante. Mais da metade desses casos, 221, foram classificados como violência de teor moral, enquanto 40%, ou 177 casos, lidaram com violência psicológica. Esses dados ressaltam a necessidade de uma abordagem mais incisiva para enfrentar e prevenir tais ocorrências.

Iniciativas de Conscientização

Em resposta ao cenário alarmante, o TSE e o MPF lançaram a campanha 'Política é Substantivo Feminino', cujo objetivo é informar e conscientizar a população sobre a importância de combater a violência política contra mulheres. A ministra do TSE, Estela Aranha, enfatizou o impacto negativo dessa violência na democracia, afirmando que ela não apenas silencia as mulheres individualmente, mas também desencoraja outras a participarem do espaço político.

Preocupações de Grupos de Direitos

Durante o lançamento da campanha, diversas entidades de direitos das mulheres e do movimento negro expressaram sua preocupação com o aumento da violência política de gênero e raça nas eleições recentes. Em uma carta entregue ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, essas organizações relataram casos de ameaças de morte, violência sexual e ataques dirigidos a candidatas, especialmente aquelas que são negras e parte da comunidade LBT. Essa situação é alarmante e exige respostas imediatas e eficazes.

Desigualdade na Representação Política

O Brasil enfrenta um desafio significativo em relação à participação feminina na política. Com apenas 17,5% de mulheres no Congresso, o país ocupa a 135ª posição em um ranking de 184 nações, ficando atrás de países com regimes autoritários. Além disso, mais de 700 municípios brasileiros não têm mulheres em cargos eletivos, e apenas 16% das prefeituras são lideradas por mulheres. Essa realidade evidencia uma lacuna crítica na representatividade feminina no cenário político.

Legislação e Desafios

Embora a legislação brasileira esteja alinhada com as diretrizes internacionais sobre a representatividade feminina, a violência política de gênero continua a ser um obstáculo significativo. Raquel Branquinho, coordenadora do grupo de trabalho de prevenção e combate à violência política de gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral, destaca que é fundamental enfrentar essa questão para promover um ambiente político mais seguro e inclusivo para todas as mulheres.

Conclusão

A crescente violência política de gênero no Brasil é um fenômeno alarmante que demanda atenção imediata de autoridades, sociedade civil e movimentos sociais. Iniciativas como a campanha 'Política é Substantivo Feminino' são passos importantes, mas é essencial que haja um compromisso contínuo para garantir a segurança e a participação plena das mulheres na política. Somente assim poderemos construir uma democracia verdadeiramente inclusiva e representativa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br