© Paulo Pinto/Agência Brasil
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A morte de Carlos Marighella, ex-deputado federal e guerrilheiro brasileiro, há 54 anos, ainda ecoa na memória nacional, especialmente após o reconhecimento oficial do Estado sobre sua responsabilidade no assassinato. Em 11 de setembro de 1996, a família Marighella recebeu um atestado de óbito que marcava um momento histórico, 27 anos após o crime realizado por agentes da ditadura militar.

O Impacto da Revelação

Carlos Augusto, conhecido como Carlinhos, filho de Marighella, relembra o dia em que soube da morte do pai. Com apenas 20 anos, recebeu uma imagem do corpo do pai, crivado de balas, por meio de jornalistas. Essa revelação não apenas trouxe dor pessoal, mas também o início de uma longa luta por justiça e reconhecimento das vítimas do regime militar.

O Papel da Lei 9.140

A Lei 9.140, sancionada em 1995, teve um papel crucial ao estabelecer a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Essa legislação permitiu que o Estado assumisse a responsabilidade pela morte de Marighella, um passo significativo para a reparação de sua imagem e a das muitas outras vítimas que ainda lutam por reconhecimento.

O Sepultamento e a Memória

Marighella foi inicialmente enterrado como indigente, e somente em 1979, após a promulgação da Lei de Anistia, seus restos mortais puderam ser trasladados para Salvador, sua cidade natal. Carlinhos destaca a importância desse reconhecimento, especialmente para outros companheiros de luta que não tiveram o mesmo destino dignificante.

Comissão e Resistências

A Comissão de Direitos Humanos, presidida na época por Nilmário Miranda, enfrentou resistência ao buscar a reparação a Marighella. A intenção era reconhecer a responsabilidade do Estado, sem punir indivíduos, mas sim reafirmar a verdade histórica sobre os crimes cometidos durante a ditadura.

A Retificação de Documentos

Recentemente, a família Marighella recebeu um novo documento, que não apenas reafirma a responsabilidade do Estado, mas também corrige informações que haviam sido omitidas. Por exemplo, a relação clandestina entre Carlos Marighella e Clara Charf, sua esposa, agora é devidamente reconhecida.

Reparação e Conscientização

Carlinhos acredita que a reparação vai além de resolver questões legais; é fundamental que sirva como um alerta para a sociedade sobre a importância da democracia e o combate a golpes de Estado. Ele enfatiza a necessidade de conscientizar a juventude sobre os riscos de um regime autoritário.

Legado e Inspiração

O legado de Marighella continua a inspirar novos movimentos sociais. Recentemente, a Universidade Federal da Bahia concedeu um diploma simbólico de engenheiro a Marighella, em homenagem a seu potencial acadêmico, antes interrompido pela repressão. Essa homenagem reforça a importância de sua luta e os valores que ele representa.

Conclusão

O reconhecimento da responsabilidade do Estado na morte de Carlos Marighella é um marco na luta por justiça e verdade no Brasil. A busca por reparação e memória histórica não é apenas uma questão familiar, mas um dever da sociedade em garantir que tais injustiças nunca mais se repitam. A história de Marighella, agora mais visível, precisa ser preservada e ensinada, para que todos entendam a importância da luta pela democracia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br