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O câncer de pulmão desponta como uma das doenças mais preocupantes na área da saúde, destacando-se pela sua natureza silenciosa. De acordo com o oncologista Igor Morbeck, integrante do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, uma alarmante proporção de 70% a 80% dos diagnósticos realizados globalmente ocorrem em estágios avançados da doença, o que reflete uma realidade semelhante no Brasil.

Análise dos Dados de Diagnóstico

Através da plataforma Data Câncer 360º, o Instituto Lado a Lado pela Vida conduziu uma análise dos diagnósticos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2023, abrangendo um total de 14.145 casos. Os dados revelam que 89,6% dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão já apresentam a doença em estágios críticos, sendo 2.015 deles no estágio 3 e 5.252 no estágio 4, onde as chances de tratamento eficaz são bastante reduzidas.

Fatores de Risco e Recomendação de Exames

O oncologista Morbeck atribui esse aumento no número de diagnósticos tardios à crescente exposição a fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo, obesidade e uma alimentação inadequada. Ele enfatiza a importância de que pessoas com histórico de tabagismo, tanto atuais quanto ex-tabagistas, realizem tomografias anuais, um exame disponível pelo SUS que pode facilitar a detecção precoce da doença.

Desafios no Diagnóstico Precoce

Um dos principais obstáculos apontados por Morbeck é a ausência de um programa estruturado de rastreamento para diagnóstico precoce de câncer de pulmão. Ele alerta que a natureza silenciosa da doença faz com que os sintomas iniciais, como tosse persistente ou falta leve de ar, sejam frequentemente confundidos com condições menos graves, levando os pacientes a adiar a busca por atendimento médico.

Preocupações com a Qualidade da Informação Oncológica

Um estudo recente revela que em 40% dos casos analisados, não foi possível determinar o tamanho do tumor ou se havia metástase. Morbeck explica que a realização de tomografias é essencial para evitar diagnósticos inadequados, pois muitos pacientes acabam saindo de consultas com receitas de antibióticos após exames como raios X, que não são suficientes para um diagnóstico preciso.

O Papel da Prevenção e da Conscientização

O oncologista destaca a importância de ações de prevenção, especialmente para aqueles que ainda fumam ou que pararam recentemente. Ele defende que campanhas de conscientização devem ser iniciadas pelo Ministério da Saúde, com a participação de agentes comunitários de saúde, que poderiam agendar tomografias para indivíduos em grupos de risco, especialmente aqueles que vivem com fumantes.

Conclusão: Necessidade Urgente de Ação

Diante da gravidade da situação, é evidente que medidas proativas são necessárias para melhorar o diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão no Brasil. A implementação de programas de rastreamento e campanhas de conscientização podem ser decisivas para reduzir a mortalidade associada a essa doença. É fundamental que a população se mantenha informada e busque atendimento médico ao perceber quaisquer sintomas, contribuindo assim para um futuro mais saudável.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br