© Valter Campanato/Agência Brasil
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Recentemente, o observatório europeu Copernicus anunciou que o primeiro semestre de 2026 apresentou o menor nível global de emissões de gases do efeito estufa causadas por incêndios florestais desde o início da série histórica em 2003. Essa informação, divulgada na última segunda-feira (6), destaca uma tendência de redução significativa nesse tipo de poluição.

Dados Alarmantes de Emissões

Entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026, as emissões globais de carbono não superaram 400 megatoneladas, evidenciando uma queda em relação aos anos anteriores. Quando as medições começaram, em 2003, as emissões ultrapassavam um gigaton, e nunca antes os registros tinham mostrado valores abaixo de 500 megatoneladas.

Redução nas Emissões por Regiões

O Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS) apontou que a diminuição das emissões é impulsionada principalmente pela redução de incêndios sazonais na África tropical. Nos primeiros seis meses do ano, o continente africano registrou cerca de 154 megatoneladas de carbono, uma redução significativa em comparação às 213 megatoneladas do mesmo período em 2025. A Ásia também contribuiu para essa queda, reduzindo suas emissões de 164 para 113 megatoneladas.

Incêndios Florestais e Registros de Temperatura

Durante o primeiro semestre, a Austrália se destacou em relação à atividade de incêndios florestais, com o estado de Victoria registrando os maiores índices no início de janeiro. Esse aumento de atividade foi acompanhado por temperaturas recordes na região. Embora a América do Sul historicamente emita menos gases do que outros continentes, as emissões também caíram, de 40,9 para 38,8 megatoneladas.

Incêndios Intensos na América do Sul

No entanto, o continente sul-americano não ficou livre de incêndios severos. A região de Biobío, no Chile, e a província de Chubut, na Patagônia argentina, foram palco de incêndios intensos durante o semestre, embora as emissões totais tenham diminuído.

A Ameaça do El Niño

Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, expressou preocupações sobre o impacto do fenômeno climático El Niño. Ele alertou que, apesar da queda nas emissões, os recentes incêndios na Eurásia e na América do Norte acendem um sinal de alerta. As condições climáticas previstas para o El Niño podem potencialmente aumentar as emissões globais, como já foi observado em anos anteriores, como 2015 e 2019, quando a queima de biomassa na Indonésia gerou neblina regional e deteriorou a qualidade do ar.

Metodologia do Copernicus

O sistema de monitoramento do Copernicus utiliza observações de satélites para estimar a intensidade dos incêndios florestais e calcular as emissões de carbono e outros poluentes. Essa análise é complementada por dados do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), permitindo uma previsão mais precisa da evolução dos incêndios.

Conclusão

Os dados apresentados pelo Copernicus revelam um panorama encorajador em relação à redução das emissões de gases de efeito estufa provenientes de incêndios florestais. Contudo, a ameaça representada pelo El Niño e a possibilidade de um aumento nas emissões em decorrência de condições climáticas desfavoráveis exigem atenção contínua. A monitoramento eficaz e a análise de dados são essenciais para entender e mitigar os impactos das mudanças climáticas no futuro.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br