© Fernando Frazão/Agência Brasil
Compartilhe essa matéria

A defesa nacional se apresenta como um dos principais desafios que a política externa do Brasil enfrentará nos próximos anos. Uma nova dinâmica geopolítica, especialmente com a crescente presença militar dos Estados Unidos na América Latina, exige uma revisão das estratégias do país na área de segurança. Audo Faleiro, assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial do Presidente da República, enfatizou a urgência desse tema durante a 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC.

Urgência na Defesa Nacional

Faleiro destacou que a percepção de vulnerabilidade, especialmente em relação às ações militares americanas na Venezuela, traz à tona a necessidade de um plano robusto para a defesa brasileira. Ele afirmou que, embora não haja uma ameaça direta às reservas de petróleo do Brasil, como ocorreu na Venezuela, é imprescindível que o país avalie a relevância de investimentos na área de defesa. De acordo com o assessor, o dilema reside na visão de que, por ser um país pacífico, o Brasil não necessitaria de um aparato de defesa forte.

Dilemas e Decisões na Política de Defesa

Faleiro argumentou que existem duas correntes de pensamento na sociedade brasileira: uma que acredita na pacificidade do país e outra que questiona a eficácia de investimentos em defesa, dado o abismo existente entre as capacidades militares do Brasil e de potências globais. No entanto, ele apontou para a possibilidade de que conflitos assimétricos, como os entre Estados Unidos e Irã, demonstrem que a força não é o único fator determinante na vitória, desde que se tenha uma estratégia de dissuasão eficiente.

Minerais Críticos e Terras Raras

Além das questões de defesa, Faleiro elencou outros desafios significativos que o Brasil enfrentará na política externa até 2030. Entre eles, destacou a questão dos minerais críticos e terras raras. Ele apontou que a legislação atual sobre esses recursos está desatualizada e que há um esforço do governo para estabelecer um Conselho Nacional de Minerais Críticos, vinculado à Presidência. Esse passo é considerado essencial para que o Brasil maximize seu potencial como o segundo maior detentor de minerais críticos.

Combate ao Crime Organizado

No que diz respeito ao crime organizado transnacional, Faleiro alertou sobre os riscos de manipulação política do tema. Ele lembrou que a recente eleição do delegado brasileiro à direção da Interpol é um indicativo da importância que o Brasil atribui ao combate ao crime organizado. O assessor enfatizou a necessidade de o Brasil adotar uma postura proativa, propondo uma agenda de combate ao crime na América Latina, que deve ser uma prioridade regional.

Soberania Digital e Integração Regional

Outro ponto abordado foi a soberania digital, onde Faleiro alertou que o Brasil precisa acelerar seus esforços, uma vez que está atrasado em relação a outros países nesse aspecto. Ele destacou que é crucial investir nessa área para que o Brasil não perca oportunidades de desenvolvimento. Além disso, o assessor mencionou a importância da integração regional com a América Latina e o Caribe, onde o Brasil deve atuar para superar a fragmentação atual, especialmente após eventos políticos que complicaram as relações na região.

Conclusão: Caminhos para o Futuro

Em suma, o Brasil se depara com uma série de desafios que exigem uma resposta rápida e eficaz em sua política externa. A defesa nacional, a exploração de minerais críticos e a luta contra o crime organizado são apenas algumas das questões que demandam atenção e estratégias bem definidas. A capacidade do Brasil de se posicionar adequadamente no cenário internacional dependerá não apenas de investimentos financeiros, mas também de uma visão clara sobre sua identidade e papel no mundo contemporâneo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br