© Rovena Rosa/Agência Brasil
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A saúde de gestantes e recém-nascidos da Terra Indígena Munduruku, situada na região do Médio Tapajós, no Pará, enfrenta sérios riscos devido à contaminação por mercúrio. Estudos recentes indicam que as mulheres grávidas da comunidade apresentam níveis de mercúrio em seus organismos que superam em 450% o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Dados Alarmantes sobre a Contaminação

De acordo com a pesquisa conduzida pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/Fiocruz), os níveis de mercúrio encontrados nas gestantes são, em média, de 9,1 microgramas por grama de cabelo (µg/g). A OMS recomenda que nenhum organismo tenha mais do que 2 µg/g desse metal. Dos 195 casos analisados, impressionantes 97% das mulheres apresentaram concentrações de mercúrio acima do limite seguro.

Impacto nos Recém-Nascidos

Os efeitos da contaminação não se limitam às gestantes. A pesquisa também revela que cerca de 90% dos bebês nascidos de mães contaminadas já apresentam traços de mercúrio. Os recém-nascidos têm, em média, 5,8 µg/g do metal em seus organismos, com um caso extremo registrando 30,8 µg/g, o que equivale a 15 vezes o nível seguro.

Consequências para a Saúde Infantil

Os pesquisadores, liderados por Paulo Basta, monitoram o desenvolvimento desses bebês nos primeiros dois anos de vida, observando seu crescimento e marcos de desenvolvimento. Segundo Basta, a exposição ao mercúrio durante a gestação pode causar retardos no neurodesenvolvimento, afetando permanentemente a saúde das crianças. O mercúrio, ao se transformar em uma neurotoxina, pode provocar lesões irreversíveis no sistema nervoso central.

A Luta pela Reconhecimento e Ação

É crucial que os dados sobre a contaminação por mercúrio sejam reconhecidos oficialmente. Atualmente, o Brasil carece de um sistema adequado para registrar casos de contaminação. Apesar das dificuldades, já foram identificados 751 casos de indígenas contaminados, com 318 deles localizados no Pará e 378 em Roraima, afetando especialmente o povo Yanomami.

Reações da Comunidade Munduruku

A divulgação dos primeiros resultados do estudo em 2022 gerou forte comoção entre os membros da comunidade Munduruku. Alessandra Korap Munduruku, liderança local, relatou a revolta e a preocupação das mulheres ao descobrirem a contaminação de seus corpos e a possível contaminação de seus filhos. A insegurança quanto à saúde de suas famílias levou a questionamentos sobre a continuidade das gestações.

Causas da Contaminação

A região do povo Munduruku tem sido afetada pela exploração ilegal de ouro, uma prática que utiliza mercúrio para separar o metal precioso da terra, resultando na contaminação dos rios e, consequentemente, dos peixes, que são a principal fonte de alimento da comunidade. A dependência dos peixes torna difícil para os moradores evitarem a contaminação, ao contrário dos habitantes urbanos que têm acesso a uma variedade de alimentos.

Conclusão

A situação das gestantes e bebês Munduruku é alarmante e exige atenção imediata das autoridades. A contaminação por mercúrio não representa apenas um problema de saúde, mas um ataque à cultura e à sobrevivência de um povo que luta por seus direitos e por um futuro livre de poluição. As comunidades precisam de apoio para enfrentar essa crise e garantir a proteção de sua saúde e de suas tradições.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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