© Tomaz Silva/Agência Brasil
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Na última quarta-feira, 27, a Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que promete transformar a dinâmica do trabalho no Brasil. A nova legislação extingue a prática da escala 6×1 e garante a obrigatoriedade de dois dias de descanso por semana, além de reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, sem afetar a remuneração dos trabalhadores.

Principais Alterações na Legislação

A PEC estabelece que, mesmo em situações em que os trabalhadores realizem jornadas especiais, a compensação por horas trabalhadas aos sábados ou domingos deve ser respeitada. Além disso, a emenda assegura que todos os empregados terão, em média, duas folgas remuneradas por semana, a serem gozadas no mesmo mês. Essa mudança visa proporcionar um equilíbrio maior entre a vida profissional e pessoal dos trabalhadores.

Jornadas Especiais e Exceções

A proposta prevê ainda a possibilidade de jornadas diferenciadas para aqueles que são graduados e recebem acima de R$ 21.188,87. Nestes casos, a negociação entre patrões e empregados deve definir a carga horária, mantendo a escala 5×2. Tal disposição reflete uma tentativa de flexibilizar as regras para setores que exigem alta qualificação e podem ter exigências de trabalho diferentes.

Transição para a Nova Escala de Trabalho

Se a PEC for ratificada pelo Senado, sua implementação ocorrerá em um período de transição que pode chegar a 14 meses. Para a maioria dos trabalhadores, a mudança na escala de trabalho ocorrerá em etapas. A partir de 60 dias após a promulgação, as empresas deverão adotar a nova configuração de 5×2 e uma redução da carga horária para 42 horas semanais. Após esse período inicial, a carga horária será então ajustada para 40 horas.

Compensação e Folgas

O relatório do deputado Leo Prates também permite a compensação de horas trabalhadas em regime de escala 6×1, desde que acordado em convenção coletiva. Assim, os trabalhadores que optarem por essa modalidade devem receber uma folga dentro do mesmo mês, garantindo que, ao final do período, gozem em média de duas folgas remuneradas por semana. Isso busca evitar que os trabalhadores sejam sobrecarregados em um único mês.

Regime Diferenciado para Terceirizados

Os trabalhadores terceirizados que atuam na administração pública terão regras de transição distintas. Eles terão um prazo de 12 meses para se adequar à nova legislação, ao contrário dos 60 dias aplicáveis a outros segmentos. Essa medida visa evitar interrupções nos serviços públicos essenciais que dependem de mão de obra terceirizada.

Impacto para Trabalhadores Altamente Qualificados

Os empregados que possuem diploma de nível superior e recebem acima do limite estipulado para os benefícios do INSS não estão automaticamente sujeitos à redução de jornada. Para esses trabalhadores, a diminuição da carga horária deve ser uma decisão do empregador ou estar prevista em convenção coletiva. Nesse contexto, a manutenção da escala 5×2 permanece uma exigência.

Próximos Passos

A PEC agora se encaminha para o Senado, onde será analisada e votada em dois turnos. A expectativa é que, caso aprovada, a nova legislação traga um impacto significativo na rotina de trabalho dos brasileiros, promovendo um aumento na qualidade de vida ao equilibrar melhor as demandas profissionais e pessoais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br