A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, vinculada à Fundação Oswaldo Cruz (rBLH-BR/Fiocruz), inicia na próxima segunda-feira, 18, até 21 de novembro, o I Congresso da Rede Global de Bancos de Leite Humano no Rio de Janeiro. O evento, que marca os 15 anos do Dia Mundial de Doação de Leite Humano, tem como tema '15 Anos Promovendo Equidade e Resiliência' e visa discutir os avanços, desafios e as perspectivas da mobilização mundial em prol da doação de leite humano, essencial para a saúde de recém-nascidos prematuros e de baixo peso.
Sensibilização das Lactantes
De acordo com Danielle Aparecida da Silva, coordenadora da rBLH e do Banco de Leite Humano do Instituto Fernandes Figueira, um dos principais obstáculos é a conscientização das mulheres lactantes sobre a importância de doar o excesso de leite ao invés de descartá-lo. "Observamos que muitas mães acabam jogando fora o leite que não é consumido por seus bebês, quando na verdade, essa doação poderia salvar vidas", afirmou Danielle em entrevista à Agência Brasil.
Importância do Banco de Leite Humano
Os bancos de leite humano são serviços de saúde fundamentais que apoiam as mães na amamentação e recebem a produção excedente. O leite doado passa por rigorosos processos de controle de qualidade, sendo posteriormente destinado a recém-nascidos que necessitam de nutrição especial, como os prematuros e com baixo peso ao nascer. Danielle ressaltou que, embora haja uma demanda crescente, a oferta de leite humano ainda não é suficiente para atender a todos os bebês que precisam.
Desafios de Doação ao Longo do Ano
A quantidade de doações tende a variar ao longo do ano, com uma queda significativa após maio, quando campanhas de conscientização são mais intensas. Durante períodos de férias e festas de fim de ano, a redução na doação é ainda mais acentuada. No Banco de Leite do IFF, por exemplo, o número mensal de doadoras varia entre 100 e 150, resultando em uma média de 100 a 150 litros de leite humano coletados, o que não é suficiente para atender a demanda crescente, especialmente no inverno, quando aumenta o número de internações de bebês.
Crescimento e Sustentabilidade das Doações
Embora a doação de leite humano tenha registrado um aumento de 8%, Danielle considera esse crescimento insuficiente. O Distrito Federal, por exemplo, já alcançou a autossuficiência em doações, garantindo que toda a demanda seja atendida. Outros estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também estão progredindo nesse sentido, ao passo que nas regiões Norte e Nordeste, a situação é mais crítica, com a maioria dos estados contando com apenas um banco de leite.
Avanços e Inovações na Mobilização
Um dos avanços significativos nos últimos 15 anos foi a adaptação da rede durante a pandemia de covid-19. Com a necessidade de distanciamento social, a rBLH lançou um edital aberto a toda a sociedade para a escolha de um slogan que representasse o Dia Mundial de Doação de Leite Humano. Essa iniciativa não apenas ampliou a visibilidade do tema, mas também incentivou a participação global, recebendo propostas de diversos países. O slogan escolhido, 'A pandemia trouxe mudanças; a sua doação traz esperança', se tornou emblemático e reflete a importância da doação neste contexto.
Conclusão
Os desafios enfrentados pelos bancos de leite humano no Brasil são muitos, mas as iniciativas para promover a conscientização e o aumento das doações são essenciais. Com eventos como o congresso promovido pela rBLH e a mobilização da sociedade, há esperança de que mais mães entendam a importância de doar seu excedente de leite, contribuindo para a saúde de milhares de recém-nascidos vulneráveis. O fortalecimento dessa rede de solidariedade é fundamental para garantir que todos os bebês tenham acesso ao alimento que pode fazer toda a diferença em suas vidas.