Uma pesquisa recente revelou que 71,7% dos gestores de escolas públicas enfrentam dificuldades para discutir a violência no ambiente escolar, incluindo problemas como bullying, racismo e capacitismo. Este dado alarmante foi coletado a partir de um estudo que envolveu 136 gestores de 105 instituições, das quais 59 são municipais e 46 estaduais.
Pesquisa e Objetivo
Realizada pela Fundação Carlos Chagas (FCC) em parceria com o Ministério da Educação (MEC), a pesquisa foi divulgada em 6 de setembro e tem como objetivo fornecer subsídios para o novo Guia de Clima Escolar Positivo, que será lançado no dia 7 de setembro pelo canal de YouTube do MEC. O guia busca oferecer orientações para que as equipes gestoras consigam promover um ambiente escolar mais saudável e acolhedor.
Complexidade do Enfrentamento à Violência
De acordo com o coordenador do estudo, Adriano Moro, lidar com a violência nas escolas é uma tarefa complexa que demanda preparo e ações bem estruturadas. Ele observa que a naturalização da violência por parte de alguns adultos da comunidade escolar pode ser um obstáculo significativo. Essa atitude muitas vezes minimiza a gravidade das situações e resulta em falta de intervenção nos momentos em que os alunos mais necessitam de apoio.
A Influência do Contexto Externo
Moro também destaca que muitas escolas estão situadas em áreas afetadas por violência externa, o que agrava a situação. Além disso, ele menciona a dificuldade em envolver as famílias e a comunidade nas ações de prevenção, o que aumenta a carga sobre as escolas para resolver esses problemas sozinhas.
A Ambiguidade do Bullying
Uma preocupação levantada pelo pesquisador é o uso inadequado do termo bullying, que frequentemente é tratado de maneira genérica. Ele enfatiza que essa violência possui características específicas e não deve ser subestimada. Ao não se nomear corretamente as agressões, problemas como racismo, capacitismo e xenofobia podem ficar ocultos.
Impacto do Clima Escolar na Aprendizagem
O clima escolar positivo é fundamental para enfrentar as violências, pois promove um ambiente onde a confiança, o respeito e a escuta mútua prevalecem. Isso, segundo Moro, facilita a identificação e o tratamento adequado dos problemas, permitindo que a escola atue de maneira mais proativa. Ele argumenta que quando os alunos se sentem seguros e respeitados, sua capacidade de aprendizado aumenta significativamente.
Desafios na Gestão Escolar
A pesquisa também revelou que 67,9% dos gestores encontram dificuldades na aproximação com as famílias e a comunidade, enquanto 64,1% enfrentam obstáculos na construção de relacionamentos saudáveis entre os alunos. Além disso, 60,3% mencionaram dificuldades em promover o sentimento de pertencimento e segurança entre os estudantes, o que pode impactar diretamente no desempenho acadêmico.
A Necessidade de Diagnósticos Estruturados
Um dado preocupante é que mais de 54% das escolas não realizam diagnósticos estruturados do clima escolar, uma etapa crucial para orientar políticas de convivência e aprendizagem. Além disso, 67,6% das unidades possuem uma equipe dedicada a melhorar o clima, enquanto as que não têm essa estrutura enfrentam o desafio de gerenciar ações apenas por parte da gestão, que muitas vezes se vê sobrecarregada.
Conclusão
Os resultados da pesquisa revelam um panorama preocupante sobre a violência no ambiente escolar e a necessidade urgente de ações eficazes. Para que as escolas consigam criar um clima positivo e acolhedor, é essencial que gestores, educadores e a comunidade trabalhem juntos, desenvolvendo estratégias que visem não apenas a reação a situações de violência, mas também a prevenção e a promoção de um ambiente educacional saudável. A implementação do Guia de Clima Escolar Positivo é um passo importante nessa direção.