© Rafael Ribeiro/Divulgação
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Um grupo de jovens talentos do Rio de Janeiro, com idades entre 13 e 21 anos, embarca nesta sexta-feira (24) em uma jornada musical pela Itália. A Orquestra Sinfônica Juvenil Chiquinha Gonzaga, formada por estudantes da rede pública fluminense, inicia uma turnê que promete marcar época, tanto pela qualidade artística quanto pelo simbolismo de sua trajetória.

Um Legado de Inspiração Feminina

Criada em 2021 com o propósito de fomentar a representatividade feminina no universo da música erudita, a orquestra leva o nome de Chiquinha Gonzaga, pioneira e primeira maestrina do Brasil. A escolha é uma homenagem deliberada à figura histórica, que personifica "uma herança de luta, liberdade e protagonismo feminino". A formação, composta exclusivamente por 52 instrumentistas, reflete o compromisso em ampliar o espaço para meninas e mulheres neste cenário.

A diretora executiva da Orquestra, a pianista Moana Martins, ressalta o significado profundo da homenagem. "Foi uma escolha muito consciente e carregada de significado. Chiquinha foi uma mulher à frente do seu tempo, que rompeu barreiras em uma sociedade extremamente restritiva para as mulheres. Ela foi compositora, maestra, ativista, uma mulher que lutou por autonomia e liberdade", explicou à Agência Brasil. "Ao trazer o nome dela, a gente conecta as meninas a essa inspiração de coragem e realização. É como se disséssemos, todos os dias: vocês também podem transformar a história".

Trajetórias de Dedicação e Sonhos Musicais

Nathaly Joyce, flautista de 21 anos e moradora da zona norte do Rio, é um dos exemplos de dedicação à orquestra, onde ingressou há cinco anos, após aprovação em audição. Para ela, o momento da apresentação é um compilado de memórias e superações. "Desde de quando a gente tinha dificuldade em uma música e por conta de estudos e motivação, não só de professores e maestros, mas da própria orquestra, a gente ali se apoiando. É lindo ver o companheirismo e a aliança através da música", compartilhou à Agência Brasil, destacando o apoio familiar fundamental em sua jornada. Com planos de seguir carreira na música, Nathaly almeja especialização em regência, mestrado e doutorado.

A violinista Clarysse Amaral, também de 21 anos e residente na zona norte do Rio, descreve a experiência de se apresentar para o Papa como algo "inexplicável" e "um feito histórico". Ela também enfatiza o suporte familiar como pilar para suas conquistas musicais, tanto na orquestra quanto em sua carreira individual.

Agenda Diplomática e Cultural na Itália

A turnê, intitulada "Conexão Vaticano", tem uma programação intensa entre os dias 23 de abril e 1º de maio. O ponto alto será uma audiência com o Papa Francisco no dia 29, na Praça São Pedro, no Vaticano, evento que integra as celebrações do Bicentenário das Relações Diplomáticas entre o Brasil e a Santa Sé. Além disso, o grupo participará de intercâmbios acadêmicos com renomadas instituições europeias, como a Sapienza Università di Roma e a Accademia de Santa Cecilia.

A agenda inclui apresentações em espaços culturais significativos de Roma, como o Cinema Troisi e a própria Sapienza Università di Roma. A orquestra também se apresentará na Embaixada do Brasil em Roma, marcando o encerramento de uma mostra audiovisual de cinema brasileiro, também alusiva ao Bicentenário das Relações Diplomáticas.

Repertório e Liderança Musical

O repertório preparado para a turnê celebra grandes nomes da música brasileira, com obras de Carlos Gomes, Guerra-Peixe, Baden Powell, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Chico Buarque. A cantora Flor Gil, neta de Gilberto Gil, fará uma participação especial. Destaque também para a obra inédita da compositora brasileira Ágatha Lima, residente na Itália, selecionada por meio de um edital público do projeto.

Embora a regência principal seja de Priscila Bomfim, que não pôde acompanhar a delegação, a maestrina Ludhymila Bruzzi assume a liderança musical durante a turnê. Bruzzi expressa a alegria e o aprendizado que a experiência proporciona, transcendendo a música. "É sobre criar laços, cultivar a confiança, e principalmente a autoconfiança delas em relação ao ofício de ser musicista, em um meio ainda tão dominado pelos homens", afirmou à Agência Brasil, reforçando o papel da orquestra na formação integral das jovens musicistas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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