Uma onda de mensagens fraudulentas tem circulado amplamente via WhatsApp, utilizando indevidamente o nome da Receita Federal para simular a cobrança de supostas pendências no Cadastro de Pessoa Física (CPF). O golpe, que visa induzir as vítimas a realizar pagamentos indevidos, promete graves consequências, como o bloqueio de operações financeiras e restrições bancárias, incluindo o sistema PIX, caso as supostas dívidas não sejam 'regularizadas' imediatamente. As autoridades alertam que essas comunicações são falsas e representam uma tentativa de estelionato digital.
A Mecânica do Golpe: Falsas Ameaças e Chamadas de Urgência
O esquema fraudulento é meticulosamente elaborado para enganar os contribuintes. As mensagens, que se intensificaram no período que antecede a entrega da declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), começam com afirmações falsas de verificação de informações, como "As informações foram verificadas e estão corretas", antes de citar o nome do destinatário e disparar um "ÚLTIMO AVISO DA RECEITA FEDERAL – IRPF 2025/2026". O texto fraudulento alega a existência de uma "pendência registrada vinculada ao documento nº [CPF]" que estaria "impactando a regularidade do seu nome", caracterizando-a como uma "PENDÊNCIA GRAVE EM ABERTO".
Para aumentar a pressão e induzir ao pânico, os golpistas listam uma série de ameaças exageradas, incluindo o impedimento de enviar e receber PIX, o acesso a contas, cartões e investimentos em qualquer banco, e a inserção do nome em cadastros restritivos como Serasa, SPC e Bacen. Em seguida, é fornecido um link suspeito, como 'https://regularizetributos', para uma "consulta imediata", com instruções até mesmo para reenviar um 'Oi' caso o link não esteja ativo, tudo para que a vítima caia na armadilha.
Do Link Falso ao Pagamento Indevido: A Progressão da Fraude
Ao clicar no link fornecido nas mensagens falsas, a vítima é direcionada a uma página que imita a interface da plataforma gov.br, solicitando o número do CPF. Após inserir a informação, o sistema fraudulento exibe uma suposta "dívida" no valor de R$ 684,55, com a ameaça de uma multa exorbitante de R$ 2.120,00, além do bloqueio bancário e restrição de crédito, caso o pagamento não seja efetuado prontamente.
A armadilha se aprofunda com um botão de "regularize agora", que encaminha o usuário para um chat com uma suposta "auditora da Receita Fiscal". Esta figura fictícia reitera as ameaças de bloqueio e restrições, insistindo que "não haverá nova oportunidade" para regularizar o débito. Finalmente, a vítima é coagida a realizar um pagamento via PIX, sem qualquer informação clara sobre o destinatário real do dinheiro, que obviamente vai parar nas mãos dos golpistas.
O Posicionamento Oficial: Receita Federal e PGFN Não Utilizam WhatsApp para Cobranças
A Receita Federal e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) reforçam categoricamente que não realizam cobranças ou solicitam pagamentos por meio de telefone, WhatsApp, e-mail ou outras mensagens eletrônicas informais. Qualquer comunicação com essa natureza é, invariavelmente, uma tentativa de golpe. A única forma legítima de gerar documentos de arrecadação, como DARF e DAS, é através dos canais oficiais disponíveis no site `www.gov.br/receitafederal`.
Em relação a débitos em aberto com a União, a PGFN esclarece que o portal `regularize.pgfn.gov.br` é o único meio oficial para a quitação de pendências. A PGFN também não estabelece contato por WhatsApp, utilizando exclusivamente o SMS, com o remetente 29347, para comunicações relevantes. Além disso, o acesso de pessoas físicas ao portal Regularize é feito de forma segura através do login e senha da plataforma oficial gov.br, e não é solicitado o CPF do contribuinte como forma de acesso direto ao portal, como fazem os golpistas.
Especialistas alertam que, em nenhuma hipótese, há cancelamento de PIX ou bloqueio de bens sem uma decisão judicial. Qualquer constrição de ativos ou contas bancárias só pode ocorrer mediante um devido processo legal, no qual o contribuinte é citado, tem oportunidade de defesa e conta com representação jurídica. Essas informações são cruciais para desmascarar as ameaças infundadas dos criminosos.
Como Identificar e Evitar Fraudes Digitais
A vigilância é a principal ferramenta contra esses golpes. Contribuintes devem estar atentos a diversos indícios de fraude, como o tom de urgência e as ameaças excessivas, típicos das mensagens fraudulentas que buscam intimidar e apressar a vítima. É fundamental desconfiar de consequências exageradas, como o bloqueio imediato de PIX, contas bancárias ou cartões, sem qualquer aviso prévio ou processo legal claro.
Outros sinais incluem a generalização e a falta de detalhes oficiais (como números de processo ou referências específicas que permitam a verificação), links suspeitos que não pertencem ao domínio oficial do governo (`.gov.br`), e pedidos de ação imediata por canais informais. O uso indevido de nomes de órgãos oficiais para conferir falsa autoridade é também um alerta. Sempre verifique a autenticidade de qualquer comunicação diretamente nos canais oficiais do governo, digitando o endereço no navegador, em vez de clicar em links recebidos.
Conclusão: Mantenha-se Informado e Seguro
A proliferação de golpes digitais, especialmente aqueles que se aproveitam de períodos de grande movimentação fiscal como o IRPF, exige máxima atenção e ceticismo por parte dos cidadãos. A Receita Federal e a PGFN são categóricas em afirmar que não utilizam plataformas de mensagens instantâneas para comunicados sobre pendências financeiras ou para solicitar pagamentos. A chave para evitar ser vítima é sempre buscar informações e realizar procedimentos financeiros exclusivamente através dos sites e sistemas oficiais do governo.
Em caso de dúvida sobre a autenticidade de uma mensagem, procure os canais de atendimento da Receita Federal ou da PGFN diretamente pelos meios oficiais, ou consulte especialistas. Nunca clique em links suspeitos, forneça dados pessoais ou realize pagamentos solicitados por canais não oficiais. A prevenção e a informação correta são as melhores defesas contra a ação dos criminosos.
Fonte: https://g1.globo.com