Uma pequena cidade da Serra catarinense foi palco de um crime brutal que resultou na morte de um homem e deixou outro gravemente ferido. Em Bom Retiro, com cerca de 8,4 mil habitantes, um jovem de 22 anos foi sequestrado, baleado e teve 70% do corpo queimado, mas conseguiu escapar de uma tentativa de imolação. A outra vítima, um homem de 38 anos, foi assassinada. A Polícia Militar, responsável pelas primeiras diligências, aponta que a motivação para os crimes seria uma disputa relacionada a dívidas de drogas, e o caso segue sob investigação da Polícia Civil.
O Terror do Sequestro e a Luta Pela Sobrevivência
A noite de segunda-feira (30) transformou-se em um pesadelo para o jovem sobrevivente. Segundo seu relato à polícia, ele foi abordado por um grupo de criminosos perto de um posto de combustíveis, por volta das 19h15, sendo forçado a entrar em um veículo. Dali, foi levado para uma casa abandonada localizada no bairro São José, onde encontrou a outra vítima já presente. No imóvel, ambos foram amarrados, e o homem de 38 anos foi brutalmente assassinado com golpes de madeira e tijolos. Em seguida, o jovem foi baleado duas vezes.
Na sequência da barbárie, os agressores derramaram gasolina sobre as vítimas e atearam fogo, presumindo que ambos estivessem mortos. Contudo, em um ato desesperado pela vida, o jovem, mesmo com as roupas em chamas e ferimentos, conseguiu pular uma janela da casa e apagar o fogo rolando no chão. Imediatamente após conseguir se livrar das chamas, ele buscou ajuda, sendo socorrido por um morador local antes da chegada das equipes de emergência.
A Descoberta das Vítimas e a Cena do Crime
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi o primeiro a ser acionado, encontrando o jovem caído, ensanguentado, com cheiro de combustível e apresentando 70% do corpo queimado, além de ferimentos de tiro no ombro e na mão. Ele foi prontamente encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Graças, em Bom Retiro, onde, apesar da gravidade dos ferimentos, seu estado era estável na manhã seguinte, e ele não possuía antecedentes criminais em Santa Catarina.
No hospital, o sobrevivente forneceu os detalhes que permitiram à Polícia Militar localizar a casa abandonada. No local indicado, os policiais encontraram o corpo do homem de 38 anos, que também estava queimado, com as mãos e pés amarrados por fios elétricos e lesões na cabeça. A perícia da Polícia Científica foi acionada para isolar a área e coletar evidências, incluindo um galão de combustível parcialmente queimado, pedaços de madeira com manchas de sangue, bitucas de cigarro e uma tela de celular quebrada, que estavam espalhados pelo imóvel.
Perfis Contrastantes e a Pista das Dívidas de Drogas
A investigação preliminar revelou perfis distintos entre as vítimas. Enquanto o jovem sobrevivente não possuía registros criminais, o homem assassinado tinha um extenso histórico policial. Seu prontuário incluía passagens por furto, receptação, tráfico de drogas, porte ilegal de munição e arma de fogo, roubo, furto de arma de fogo, desobediência, resistência, adulteração de sinal identificador de veículo, furto de automóvel, desobediência a decisão judicial, furto em repartição pública, ameaça, coação no curso do processo, dano e ameaça contra mulher. Ele também utilizava tornozeleira eletrônica, indicando cumprimento de pena ou monitoramento judicial.
Diante desses elementos, a Polícia Militar rapidamente formulou a hipótese de que a motivação para os crimes estaria ligada a dívidas de drogas, uma tese que será aprofundada pela Polícia Civil. A disparidade nos históricos criminais é um ponto crucial para entender a dinâmica e os possíveis alvos do ataque.
O Andamento da Investigação Policial
A Polícia Civil assumiu formalmente a investigação do caso, que está sendo tratado como homicídio e tentativa de homicídio. Equipes estão empenhadas na coleta de dados, reunindo imagens de câmeras de monitoramento da região, depoimentos de testemunhas e os resultados da perícia forense, além do crucial relato do sobrevivente. A segurança do jovem no hospital está sendo garantida por policiais militares, uma medida preventiva para evitar novas ações dos criminosos e proteger a equipe médica e os demais pacientes.
A diligência das autoridades visa a identificar e capturar os responsáveis por este ato de extrema violência, buscando esclarecer todos os pormenores do ataque em Bom Retiro e fazer justiça para as vítimas. A complexidade do caso, envolvendo sequestro, assassinato e tentativa de ocultação de provas, exige uma investigação meticulosa e integrada entre as forças de segurança.
Fonte: https://g1.globo.com