© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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Durante a 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), sediada em Campo Grande, uma ferramenta revolucionária foi apresentada com o objetivo de fortalecer a conservação da avifauna do continente. Trata-se do Atlas de Rotas Migratórias das Américas, uma plataforma online que detalha as jornadas, pontos de parada e repouso cruciais para espécies migratórias. Este lançamento marca um passo significativo na identificação e proteção de habitats essenciais, visando um futuro mais seguro para essas populações vulneráveis.

Desvendando as Jornadas da Avifauna Americana

O Atlas de Rotas Migratórias das Américas oferece um mapa interativo abrangente, inicialmente com informações detalhadas sobre 89 espécies de aves migratórias. A iniciativa planeja uma expansão ambiciosa para incluir 622 espécies, cobrindo um vasto território que se estende do Ártico canadense até a Patagônia chilena, abrangendo 56 países. Essa amplitude geográfica permite visualizar as trajetórias percorridas pelas aves em diferentes épocas do ano, fornecendo dados cruciais sobre os locais de concentração (ACAs), que são fundamentais para sua sobrevivência. A base de dados do atlas é robusta, fazendo uso de milhões de registros provenientes da ciência-cidadã, especificamente da plataforma eBird, demonstrando o poder da colaboração global na coleta de informações ambientais.

Uma Ferramenta Estratégica para Políticas de Conservação

A principal utilidade do Atlas reside em sua capacidade de orientar políticas públicas e esforços de cooperação internacional na conservação. Braulio Dias, diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), destaca que a ferramenta permite “definir, com maior precisão, áreas geográficas que precisam de mais atenção para a conservação, para criação de áreas protegidas, públicas ou privadas”. Além disso, o atlas se mostra vital no processo de licenciamento ambiental, especialmente para empreendimentos de infraestrutura como linhas de transmissão de energia e torres eólicas. A correta localização dessas estruturas é essencial para evitar a alta mortalidade de aves e morcegos, um risco que a ferramenta ajuda a mitigar ao fornecer dados sobre as rotas migratórias.

Impacto Ampliado: Da Academia ao Cidadão Comum

Além de seu valor estratégico para governos e pesquisadores, o Atlas oferece benefícios práticos para a sociedade em geral. Amantes da natureza e entusiastas do ecoturismo podem consultar a plataforma para identificar espécies comuns em determinadas regiões e planejar atividades de observação de aves. Um exemplo notável de espécie catalogada é o pássaro conhecido como veste-amarela ou pássaro-preto-de-veste-amarela, cuja jornada migratória inclui o Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai. Esta espécie, que enfrenta um declínio populacional acentuado, está na lista de ameaçadas de extinção da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), sublinhando a urgência das ações de conservação que o atlas visa apoiar.

A Força da Colaboração Internacional

A concretização do Atlas de Rotas Migratórias das Américas é resultado de uma notável colaboração entre o secretariado da CMS, o Laboratório de Ornitologia da Universidade de Cornell, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do Brasil e o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos (USFWS). O diretor do Centro de Estudos de Populações de Aves da Universidade de Cornell ressaltou que o atlas é um testemunho do que é possível quando milhões de observações de aves, provenientes de cidadãos de todo o continente americano, são reunidas. Amy Fraenkel, secretária executiva da CMS, enfatizou durante o lançamento que a ferramenta reforça o compromisso compartilhado de fortalecer a conectividade ecológica transfronteiriça, um objetivo crucial em um momento em que as espécies migratórias dependem de ações coordenadas e conjuntas.

O lançamento do Atlas de Rotas Migratórias das Américas na COP15 representa um avanço significativo para a conservação da biodiversidade. Ao fornecer uma plataforma detalhada e acessível, a ferramenta não só facilita a formulação de políticas ambientais mais eficazes, como também engaja o público na apreciação e proteção das aves migratórias. Este esforço colaborativo é um lembrete poderoso de que a preservação de espécies que transcendem fronteiras exige uma abordagem unificada e informada, pavimentando o caminho para um futuro onde a vida selvagem possa prosperar em seus vastos e intrincados caminhos migratórios.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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