© Rovena Rosa/Agência Brasil
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Os jardins do emblemático Museu da República, localizado na zona sul do Rio de Janeiro, se preparam para abrigar uma significativa expansão do Museu do Folclore Edison Carneiro. A iniciativa, fruto de um acordo interinstitucional recentemente formalizado, promete não apenas ampliar a estrutura física dedicada à cultura popular brasileira, mas também enriquecer o acesso do público e de pesquisadores a um vasto acervo de saberes e fazeres de artesãos de todo o país. Este passo estratégico visa fortalecer a valorização da identidade nacional, proporcionando um espaço mais robusto para a guarda, exposição e estudo de manifestações culturais profundamente enraizadas na alma brasileira.

Parceria Estratégica Selada para a Cultura Nacional

A formalização deste ambicioso projeto ocorreu por meio de um termo de acordo assinado entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela gestão do Museu do Folclore, e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que administra o Museu da República. O anúncio oficial da parceria foi feito em um evento que também celebrou a inauguração de um mural em homenagem ao folclorista Edison Carneiro, no bairro do Catete, conferindo ainda mais simbolismo ao compromisso com a preservação e difusão da cultura popular. Esta colaboração é vista como um marco essencial para assegurar que o patrimônio imaterial do Brasil seja não apenas guardado, mas ativamente vivenciado e compreendido por novas gerações.

Nova Unidade: Um Centro de Referência Ampliado

A nova unidade do Museu do Folclore será erguida em uma área específica do jardim do Museu da República, estrategicamente posicionada adjacente à sede atual do museu. Este novo prédio foi concebido para ser um espaço multifuncional, abrangendo a integração de diversas unidades do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), com especial atenção à criação de uma reserva técnica modernizada para abrigar as preciosas coleções. Além disso, o projeto prevê a expansão das áreas destinadas à pesquisa, o desenvolvimento de um programa educativo abrangente, um auditório para eventos e recepções, e a exposição de registros de saberes e modos de fazer, garantindo que a riqueza da cultura popular esteja acessível a todos.

Investimento e Perspectivas de Concretização

Para a concretização deste projeto, o presidente do Iphan, Leandro Grass, estima um investimento robusto entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Os recursos, que serão aplicados tanto na construção da nova unidade quanto na reforma da sede existente e de outras unidades do CNFCP, provêm do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A expectativa é que o processo de licitação seja finalizado ainda este ano, dando o 'sinal verde' para o início da elaboração do projeto executivo, que será conduzido diretamente pelo instituto. Grass enfatizou que a iniciativa visa não só expandir a capacidade de guarda do acervo, mas sobretudo colocar a cultura popular de forma mais ampla à disposição da população e dos pesquisadores.

Há mais de duas décadas, a comunidade cultural anseia pela modernização da reserva técnica do Museu do Folclore. Segundo Rafael Barros, diretor do CNFCP, a atual reserva abriga mais de 20 mil objetos, configurando-se como a maior coleção de cultura popular do Brasil, mas carece de condições técnicas adequadas para sua conservação ideal. Com a nova infraestrutura, a meta é triplicar a área de reserva, permitindo condições ideais de guarda e manuseio, além de incentivar o aumento de visitas e pesquisas. Barros revelou a intenção de incorporar paredes de vidro no projeto, permitindo que o público, moradores e turistas que frequentam o Museu da República possam visualizar o acervo, conectando-se diretamente com as raízes e a identidade do país.

O diferencial do Museu do Folclore, conforme destacado por seus dirigentes, reside em sua capacidade de conectar o público às suas origens, valorizando a diversidade cultural que forma a nação. Rafael Barros ressaltou que a cultura popular é o fundamento da identidade brasileira, que nos constitui em nossa singularidade e amplitude continental. A presidenta do Ibram, Fernanda Castro, corroborou essa visão, afirmando que a criação de um espaço adequado para a reserva técnica do CNFCP representa a preservação da memória de manifestações culturais que emanam do povo, e que essa origem deve orientar as políticas públicas. Fundado no final da década de 1950 e atualmente vinculado ao Iphan, o CNFCP, que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro, já conta com cerca de 17 mil objetos e 200 mil documentos bibliográficos e audiovisuais, além de exposições, área de pesquisa e loja, funcionando na Rua do Catete, 179.

A expansão do Museu do Folclore Edison Carneiro representa, portanto, um avanço significativo para a salvaguarda e a promoção da cultura popular brasileira. Ao garantir melhores condições de preservação e um acesso mais democrático ao seu vasto acervo, o projeto não só reforça o papel do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular como referência, mas também reafirma o compromisso das instituições com a memória e a identidade de um país construído pela riqueza de suas manifestações populares. É um investimento no reconhecimento da diversidade cultural como um dos pilares mais preciosos do patrimônio nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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