Agência Brasil
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A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada sem vida em fevereiro deste ano, ganhou um novo e crucial desdobramento. A exumação do corpo da PM, realizada na última sexta-feira (6), revelou a presença de marcas no pescoço da vítima. Essa descoberta, divulgada pelo advogado da família, José Miguel da Silva Junior, adiciona um elemento significativo à apuração, que inicialmente havia sido reportada como suicídio pelo marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite.

Novos Indícios Após a Exumação: Marcas no Pescoço Apontam Outra Direção

Segundo o representante legal da família, as equimoses de dedos observadas no pescoço de Gisele Alves Santana foram um achado que chamou a atenção da equipe de perícia. Embora as informações sejam, por enquanto, extraoficiais e ainda não integradas formalmente aos autos do processo, o advogado Silva Junior as considera um fator preponderante, reforçando veementemente a teoria de feminicídio. Para a defesa da vítima, essas marcas, somadas a outros elementos já coletados, sugerem uma dinâmica de violência que antecedeu o disparo fatal.

Outros Elementos que Sustentam a Hipótese de Feminicídio

Além das marcas no pescoço, diversos outros pontos levantados pela defesa já figuram nos autos do processo e apontam para o possível envolvimento do marido da vítima. Um dos aspectos mais questionados é a demora no acionamento das autoridades: uma testemunha vizinha relatou ter ouvido o disparo às 7h28, enquanto o tenente-coronel Geraldo Leite só contatou o Copom às 7h57, um intervalo de quase trinta minutos. Outro fato intrigante, segundo o advogado, é que Geraldo Leite teria tomado banho após a ocorrência, o que levanta suspeitas sobre a cena do crime.

Socorristas que chegaram ao local também teriam expressado estranhamento com a cena, considerando-a incomum para um caso de suicídio. A imagem da vítima com a arma na mão, acoplada aos autos pela defesa, é outro elemento crucial. O advogado argumenta que uma mulher, geralmente com mãos menores, ao efetuar um disparo de uma pistola calibre .40, dificilmente manteria a arma 'grudada' na mão, sugerindo que a posição do revólver poderia ter sido alterada.

Adicionalmente, a investigação revela que, horas após o incidente, três policiais femininas foram ao apartamento do casal para realizar uma limpeza. Essa ação, já confirmada em depoimentos, é vista pela defesa como um procedimento atípico e questionável, que poderia ter comprometido a preservação da cena do crime.

Andamento Oficial e Sigilo Judicial da Investigação

A Secretaria da Segurança Pública (SSP), procurada para comentar as atualizações, informou que as investigações do caso Gisele Alves Santana continuam sob responsabilidade do 8º Distrito Policial. A autoridade policial aguarda, com a devida urgência, a emissão dos laudos periciais referentes tanto à reconstituição dos fatos quanto à exumação do corpo da vítima. Devido ao sigilo judicial imposto ao processo, a pasta ressaltou que detalhes específicos não poderão ser divulgados neste momento.

A expectativa é que os resultados desses laudos técnicos sejam determinantes para a compreensão final da morte da policial e para o eventual indiciamento de responsáveis. A família de Gisele, através de seu advogado, mantém a convicção de que os elementos apresentados são suficientes para direcionar a investigação para a tese de feminicídio.

Conclusão: Um Caso em Busca de Respostas Definitivas

O caso da policial Gisele Alves Santana, inicialmente tratado como suicídio, se complexifica com as novas evidências surgidas da exumação do corpo e os diversos pontos levantados pela defesa da família. As marcas no pescoço da vítima, aliadas à controvérsia sobre o tempo de socorro, a cena do crime e a subsequente limpeza do apartamento, lançam sérias dúvidas sobre a narrativa inicial. A sociedade aguarda ansiosamente pelos laudos oficiais e pela conclusão da investigação, que prometem trazer as respostas definitivas sobre o trágico desfecho da vida da PM Gisele Alves Santana.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br