A deputada estadual Marina Helou anunciou sua filiação ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) em São Paulo, marcando sua saída da Rede Sustentabilidade. Helou, figura proeminente e fundadora da Rede no estado, era a única representante da legenda na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), eleita em oito anos de existência do partido. Sua movimentação aproveita a janela partidária e reflete uma profunda crise interna na Rede, que pode provocar a saída de outros aliados da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, abalando a estrutura e o futuro da legenda.
A Saída de Marina Helou e a Nova Filiação
O anúncio da filiação de Marina Helou ao PSB, feito nesta segunda-feira (9), é um passo estratégico em sua carreira política. A deputada, que teve um papel fundamental na constituição da Rede Sustentabilidade em São Paulo e é uma apoiadora histórica de Marina Silva, deve buscar a reeleição ao cargo de deputada estadual pelo novo partido. Sua decisão foi tomada dentro do prazo da janela partidária, período que permite a mudança de legenda sem perda de mandato, encerrado em 3 de abril.
A Crise Interna da Rede Sustentabilidade: Um Racha de Comando
A migração de Marina Helou é um sintoma claro da instabilidade que assola a Rede Sustentabilidade desde o ano passado. A legenda enfrenta uma acirrada disputa interna pelo controle do partido, polarizada entre os grupos liderados pela ministra Marina Silva e pela ex-senadora Heloisa Helena. As divergências vão além do mero comando, abrangendo a estratégia política e as próprias regras internas da agremiação.
A Rede opera com um modelo singular de 'porta-vozes', que funcionam como presidentes. As eleições internas recentes para a direção do partido, válidas para 2025, foram cruciais para o desfecho dessa disputa. No Congresso Nacional, a ala ligada a Heloisa Helena emergiu vitoriosa, conquistando aproximadamente 76% dos votos, o que consolidou seu controle político sobre a legenda e relegou o grupo de Marina Silva à minoria. Além disso, modificações no estatuto partidário foram percebidas como um fortalecimento da corrente de Heloisa Helena, intensificando a tensão interna.
Divergências Políticas e o Alinhamento ao Governo Federal
Outro pilar da discórdia na Rede reside na linha política e no posicionamento frente ao governo federal. O grupo de Marina Silva, que integra o primeiro escalão do governo Lula, tende a manter um alinhamento mais próximo da base governista e do Partido dos Trabalhadores (PT). Em contrapartida, a facção de Heloisa Helena adota uma postura mais crítica em relação à administração federal, buscando maior autonomia para a legenda.
Essa distinção ideológica é, em parte, um reflexo da complexa relação de Heloisa Helena com o presidente Lula, que remonta à sua expulsão do PT em 2003. Tais diferenças são cruciais e influenciam diretamente as decisões sobre alianças eleitorais futuras e a escolha de candidaturas, moldando o perfil do partido em pleitos importantes.
O Futuro Incerto de Marina Silva e as Conversas de Bastidor
A crise na Rede Sustentabilidade atingiu um ponto crítico, levando a própria Marina Silva a considerar deixar o partido que ajudou a fundar. Nos bastidores, a ministra já mantém conversas com diversas legendas, como PT, PSB e PSOL, visando as eleições de 2026. Uma das hipóteses mais discutidas é que ela dispute uma cadeira no Senado por São Paulo em outra sigla, com o PSB despontando como a principal opção para abrigá-la.
Paralelamente, o PT tem se esforçado para negociar o retorno de Marina Silva, após divergências que resultaram em sua saída do governo da ex-presidente Dilma Rousseff. A saída de Marina Helou, portanto, pode ser apenas o prenúncio de um movimento maior de desfiliações, incluindo a da própria fundadora e líder histórica da Rede, reconfigurando o cenário político nacional.
Fonte: https://g1.globo.com