© Felipe Barbosa/Divulgação
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O Grupo dos Dez, reconhecido por seu compromisso com o teatro negro, retorna aos palcos de Belo Horizonte com uma apresentação única do espetáculo Madame Satã, marcando um novo momento da companhia que celebra seus 15 anos de trajetória. A performance está agendada para este domingo (01), às 20h, no Sesc Palladium, evidenciando a relevância desse gênero artístico na cultura brasileira.

Projeto de 15 anos: Teatro Negro em destaque

Sob a direção de João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã faz parte do projeto "Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro", aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, em parceria com o Ministério da Cultura e o patrocínio da Petrobras. Este projeto abrange mais de 60 apresentações em sete estados, englobando tanto obras inéditas quanto espetáculos consagrados, além de atividades formativas que promovem o diálogo entre arte, memória e território.

Programação e Renovação

Junto à reapresentação de Madame Satã, a programação comemorativa inclui a estreia do espetáculo inédito "Afroapocalíptico" no dia 13 de março, no Palácio das Artes. Este novo espetáculo, inspirado na cosmovisão do congado mineiro, visa proporcionar uma experiência artística imersiva, sensorial e política, evidenciando a constante renovação do Grupo dos Dez.

Retorno Após Período de Adversidades

Como diversos coletivos de teatro independente, o Grupo dos Dez enfrentou desafios durante o período de suspensão causado pela pandemia. O regresso à Belo Horizonte, após a última apresentação em 2018, representa a busca por ampliar horizontes, descolonizar narrativas e reafirmar o papel essencial do teatro negro na produção cultural do país.

Importância da Arte Coletiva

Rodrigo Jerônimo, co-diretor e dramaturgo do espetáculo, destaca a simbologia da marca dos 15 anos, ressaltando que o trabalho do grupo ganha significado quando realizado de forma coletiva e capaz de transformar realidades. Já para a diretora musical Bia Nogueira, o retorno aos palcos fortalece a missão de promover encontros, escutar e promover o pertencimento por meio da arte.

Exploração de Temas Relevantes

Madame Satã, terceiro espetáculo do Grupo dos Dez, aborda questões como identidade, racismo, homofobia e transfobia, utilizando a biografia de João Francisco dos Santos como ponto de partida para criticar essas formas de discriminação. A peça também destaca personagens historicamente marginalizados, trazendo à tona narrativas que desafiam a normatividade social vigente.

Legado e Reconhecimento

Reconhecido por sua relevância, o espetáculo Madame Satã recebeu diversos prêmios ao longo de sua circulação pelo Brasil, incluindo o Prêmio Brasil Musical 2019 e o Prêmio Leda Maria Martins 2017. Rodrigo Jerônimo destaca a importância de atualizar a peça ao longo do tempo, permitindo que o público acompanhe e reflita sobre questões sociais urgentes.

Compromisso com a Diversidade

Fundado em 2009, o Grupo dos Dez se destaca por investigar a interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro, valorizando as tradições populares, africanas e indígenas. Além de produzir espetáculos, a companhia promove iniciativas que fortalecem a cultura afro-indígena, visando inclusão e representatividade dentro das artes cênicas e literárias do país.

Afirmação do Teatro Negro no Presente e Futuro

Ao retornar aos palcos de Belo Horizonte, o Grupo dos Dez reforça a importância do teatro negro como espaço de memória, formação e produção de novas narrativas, projetando um futuro mais inclusivo e diverso para as artes cênicas brasileiras. A retomada das atividades evidencia o compromisso contínuo da companhia em amplificar vozes e promover a reflexão sobre questões sociais essenciais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br