A Polícia Civil da Bahia deflagrou uma operação que culminou na prisão de Poliane França Gomes, conhecida como “Rainha do Sul”, uma figura central no cenário do tráfico de drogas do Nordeste. A advogada é apontada como peça-chave na comunicação entre uma das maiores facções criminosas da região, o Bonde do Maluco, e seu líder, que cumpre pena em regime fechado desde 2013. As investigações revelaram que, sob o disfarce de sua prerrogativa profissional, Poliane supostamente transmitia ordens diretas, ameaças e estratégias do grupo, inclusive proferindo ameaças de morte a quem não acatasse suas determinações. O codinome “Rainha do Sul” não era apenas um apelido, mas uma identidade cuidadosamente cultivada, ecoando personagens notórios do crime organizado em narrativas televisivas, e central para sua atuação na hierarquia criminosa. Sua detenção representa um marco nas ações de desarticulação de redes criminosas complexas.
A ascensão da ‘Rainha do Sul’ no crime organizado
O papel da advogada e as ameaças interceptadas
A operação da Polícia Civil da Bahia desvendou a complexa teia de atividades ilícitas atribuídas a Poliane França Gomes, uma advogada que se destacou no mundo do crime pelo apelido de “Rainha do Sul”. Considerada uma das mulheres mais perigosas do tráfico de drogas na região Nordeste, Poliane é acusada de atuar como elo vital entre uma das maiores facções criminosas e seu líder, que cumpre pena em regime fechado desde 2013. A estratégia, segundo as autoridades, envolvia o uso de sua prerrogativa profissional para facilitar a comunicação e a coordenação das ações da organização criminosa de dentro para fora da prisão.
Mensagens interceptadas durante a minuciosa investigação expõem a brutalidade das ordens que Poliane supostamente transmitia. Em um dos trechos mais chocantes, ela ameaça de morte tanto integrantes da própria facção quanto rivais que ousassem descumprir as determinações do grupo. “Pode avisar que quem não pagar, vai pagar com a vida”, teria afirmado Poliane em uma das comunicações obtidas pelas forças policiais. Este modus operandi sublinha a seriedade das acusações e a profundidade de seu envolvimento na estrutura criminosa. O apelido “Rainha do Sul” não era meramente um codinome informal; Poliane o utilizava ativamente dentro da organização, exigindo ser identificada apenas como “RS” em celulares de outros membros, onde aparecia como “RS adv – Rainha do Sul advogada”. A escolha do nome não é acidental, mas uma referência direta à popular série mexicana “La Reina del Sur”, que dramatiza a vida de uma narcotraficante que ascende ao comando de cartéis, sugerindo uma inspiração e um desejo de projeção de poder dentro do submundo do crime.
A teia de relações: amor, poder e controle da facção
O relacionamento com o líder e a estratégia prisional
As investigações aprofundaram-se, revelando que Poliane mantinha um relacionamento amoroso com Leandro da Conceição Santos Fonseca, apontado como o chefe do Bonde do Maluco, uma das maiores facções criminosas do Nordeste. Conhecido por diversos apelidos no mundo do crime, como Léo Itinga e Shantaram, Leandro acumulava mais de 70 processos por crimes como tráfico de drogas, homicídio e associação criminosa. Mesmo após sua prisão em 2013, a polícia afirma que ele continuava a comandar a facção de dentro do presídio, utilizando mensagens de celular para enviar ordens e manter o controle da organização. Áudios cruciais, obtidos pela investigação, detalham como Leandro emitia ordens para a compra e venda de armas, além do transporte de entorpecentes, referindo-se especificamente ao crack pelo codinome “óleo”, para dissimular as operações.
Em 2024, Leandro foi transferido para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), em uma cela isolada no presídio de segurança máxima da Serrinha, no interior da Bahia, perdendo o acesso a qualquer tipo de comunicação externa por celular. Foi nesse período que Poliane assumiu formalmente sua defesa legal. No entanto, a polícia aponta que a advogada e o líder da facção orquestraram uma estratégia para contornar as restrições e manter o comando do grupo criminoso. Poliane alterou seu cadastro junto às autoridades prisionais, passando a figurar como companheira de Leandro, o que lhe conferiu o direito a visitas íntimas e um tempo significativamente maior de permanência com o detento. Essa mudança foi crucial, facilitando, segundo as investigações, o repasse de ordens detalhadas para o exterior da prisão e o retorno de informações vitais sobre as operações da quadrilha diretamente ao seu líder. A movimentação de Poliane, que realizou 16 visitas entre junho e agosto num período que chamou a atenção das autoridades, intensificou o monitoramento policial sobre a advogada.
A operação policial e o desmonte financeiro
A vigilância culminou na prisão de Poliane em sua residência, numa operação conjunta que também resultou na detenção de outros 14 integrantes do Bonde do Maluco, incluindo um dos gerentes financeiros do grupo criminoso. Na casa da advogada, os agentes de segurança pública encontraram evidências contundentes de seu envolvimento, como um documento que atestava a união estável com Leandro, cartas escritas à mão contendo ordens explícitas para a quadrilha, joias avaliadas em mais de R$ 1 milhão, uma frota de carros de luxo, uma moto aquática, uma máquina de contar dinheiro e R$ 190 mil em espécie.
A operação não se limitou às prisões e à apreensão de bens físicos. As autoridades também direcionaram seus esforços para desmantelar o braço financeiro da facção. A polícia solicitou o bloqueio de 26 contas bancárias vinculadas ao grupo, com um potencial de apreensão de mais de R$ 100 milhões, visando cortar o fluxo de recursos que alimentava as atividades ilícitas. Além disso, as investigações identificaram um haras localizado em Pernambuco que, segundo a polícia, era utilizado como esquema de lavagem de dinheiro, por meio da compra e venda de cavalos de alto valor, camuflando os lucros obtidos do tráfico de drogas e outras ações criminosas. Em face das acusações, a defesa de Poliane França Gomes negou as alegações, afirmando que “os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno”. Da mesma forma, os advogados de Leandro da Conceição Santos Fonseca também refutaram as acusações apresentadas.
O impacto das operações contra o crime organizado no Nordeste
A prisão da advogada Poliane França Gomes, a “Rainha do Sul”, e o desmantelamento de parte da estrutura do Bonde do Maluco representam um golpe significativo contra o crime organizado no Nordeste. A operação não apenas intercepta uma figura-chave na comunicação e coordenação de uma das maiores facções da região, mas também atinge duramente seu braço financeiro, expondo a sofisticação das estratégias utilizadas para manter o controle e lavar dinheiro ilícito. Este caso ilustra a complexidade do combate ao tráfico de drogas e à associação criminosa, onde profissionais de diferentes áreas são cooptados, e a necessidade de uma atuação integrada e contínua das forças de segurança para garantir a desarticulação dessas redes criminosas.
Perguntas frequentes sobre o caso ‘Rainha do Sul’
Quem é Poliane França Gomes, conhecida como ‘Rainha do Sul’?
Poliane França Gomes é uma advogada presa na Bahia, suspeita de atuar como elo entre uma grande facção criminosa do Nordeste, o Bonde do Maluco, e seu líder, Leandro da Conceição Santos Fonseca, que está preso. Ela é acusada de transmitir ordens e ameaças.
Qual era o papel de Poliane na facção criminosa?
Segundo a polícia, Poliane utilizava sua posição de advogada para repassar ordens, ameaças e orientações estratégicas do chefe da facção para o lado de fora da prisão, mantendo o controle do grupo. Ela também teria alterado seu status para companheira do líder para ter visitas íntimas.
Quais evidências foram encontradas contra ela?
Na residência de Poliane, foram apreendidas cartas com ordens da quadrilha, joias de alto valor, carros de luxo, uma moto aquática, uma máquina de contar dinheiro e R$ 190 mil em espécie. Além disso, a investigação interceptou mensagens de ameaça atribuídas a ela.
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Fonte: https://g1.globo.com