A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) oficializou nesta segunda-feira (8) o registro da Butantan-DV, marcando um avanço significativo para a saúde pública brasileira e global. Este imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantan, é a primeira vacina contra a dengue de dose única no mundo, projetada para proteger contra os quatro sorotipos do vírus. Sua aprovação permite a produção e comercialização exclusivas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e representa um passo crucial no combate à doença que tem gerado preocupação crescente no país. A chegada desta nova ferramenta no arsenal de prevenção é um alívio em um cenário epidemiológico desafiador, prometendo otimizar a logística de vacinação e ampliar a cobertura em faixas etárias específicas.
Butantan-DV: um marco na saúde pública brasileira
A aprovação da Butantan-DV pela Anvisa não é apenas um feito científico, mas um divisor de águas na estratégia nacional de imunização. Este imunizante inovador se destaca por sua administração em dose única, um fator que simplifica drasticamente a logística de distribuição e aplicação em larga escala. Diferente de vacinas que exigem múltiplas doses, a Butantan-DV promete maior adesão da população e uma aceleração na imunização, fatores essenciais para conter a disseminação da dengue em um país de dimensões continentais como o Brasil.
Produção e logística otimizadas
O Instituto Butantan já demonstra uma capacidade de resposta notável, com um estoque inicial de 1 milhão de doses prontas para uso. As projeções futuras são ambiciosas e refletem a urgência da demanda: espera-se que 25 milhões de doses adicionais sejam produzidas até o segundo semestre de 2026, com mais 35 milhões programadas para 2027. Para garantir essa escalabilidade, o Butantan estabeleceu uma parceria estratégica com a empresa chinesa WuXi, visando ampliar sua capacidade produtiva.
A vacina é destinada a pessoas na faixa etária de 2 a 59 anos e, segundo estudos do Ministério da Saúde, oferece proteção prolongada por até cinco anos. A Butantan-DV será incorporada ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) a partir de janeiro do próximo ano, e um comitê de especialistas e gestores do SUS terá a responsabilidade de definir os grupos prioritários a serem vacinados. A oferta exclusiva pelo SUS reitera o compromisso com a equidade e o acesso universal à saúde.
Eficácia e segurança comprovadas em estudos
O desenvolvimento da Butantan-DV é fruto de mais de uma década de pesquisa e colaboração internacional, notadamente com o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIH). O rigor científico e a dedicação dos pesquisadores foram fundamentais para a obtenção dos dados que garantiram sua aprovação pela Anvisa.
Os resultados dos ensaios clínicos
O pedido de registro junto à Anvisa foi submetido em 16 de dezembro de 2023, após anos de acompanhamento criterioso de voluntários na fase 3 dos ensaios clínicos. Os resultados apresentaram um perfil de eficácia e segurança robusto. Segundo o diretor do Butantan, Esper Kallas, a eficácia geral da vacina atingiu 74,7%. Para casos de dengue grave ou com sinais de alerta, a proteção foi ainda mais expressiva, chegando a 91,6%, o que significa que, mesmo em caso de infecção, a probabilidade de desenvolver sintomas graves é significativamente reduzida. Um dos dados mais impactantes é a proteção de 100% contra hospitalização devido à dengue.
Estudos anteriores, na fase dois dos ensaios clínicos, já haviam demonstrado uma eficácia de 79,6% na prevenção de casos de dengue sintomática. Na fase três, os dados foram corroborados, com uma proteção de 89% contra a dengue grave e com sinais de alarme, além de comprovar segurança e eficácia prolongadas por um período de até cinco anos, oferecendo uma defesa duradoura contra a doença.
O cenário da dengue no brasil e a urgência da vacinação
A chegada de uma nova vacina contra a dengue ocorre em um momento de extrema necessidade no Brasil. O país enfrenta um aumento vertiginoso nos casos da doença, configurando uma epidemia que tem sobrecarregado o sistema de saúde e causado um número alarmante de óbitos.
Enfrentando a epidemia com novas ferramentas
De acordo com o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 6,56 milhões de casos prováveis de dengue e 6.321 mortes em 2024, um número que representa um aumento de quatro vezes em comparação com os 1,65 milhão de casos e 1.179 óbitos registrados em 2023. As projeções iniciais para o próximo ano também indicam uma continuidade do desafio, com 1,63 milhão de casos prováveis e 1.730 mortes já contabilizadas nos primeiros levantamentos. O estado de São Paulo, em particular, concentra grande parte da crise, com 55% das infecções nacionais, totalizando 897 mil casos e 1.108 óbitos.
Atualmente, o PNI já conta com a Qdenga, vacina fabricada pela farmacêutica japonesa Takeda, incorporada em dezembro de 2023. Essa foi a primeira vez que o Brasil ofereceu um imunizante contra a dengue na rede pública. No entanto, a Qdenga, por ser importada e requerer duas doses, teve sua distribuição restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, um grupo que concentra o maior número de hospitalizações após os idosos. Importante ressaltar que a Qdenga não possui autorização da Anvisa para uso em pessoas acima de 60 anos. A nova vacina do Butantan, portanto, não substitui o imunizante japonês; ao invés disso, complementa a estratégia de vacinação, ampliando a cobertura e as opções disponíveis para a população. O Ministério da Saúde mantém um contrato com a Takeda para 18 milhões de doses da Qdenga, garantindo que ambas as vacinas coexistam no combate à dengue.
Perguntas frequentes sobre a nova vacina
Quem pode tomar a vacina Butantan-DV?
A vacina Butantan-DV é destinada a pessoas na faixa etária de 2 a 59 anos, conforme o registro aprovado pela Anvisa.
Qual a diferença entre a vacina do Butantan e a Qdenga?
A principal diferença é que a Butantan-DV é uma vacina de dose única, produzida nacionalmente pelo Instituto Butantan e destinada exclusivamente ao SUS, com proteção para pessoas de 2 a 59 anos. A Qdenga, por sua vez, exige duas doses, é importada e atualmente restrita a crianças e adolescentes de 10 a 14 anos no SUS, sem autorização para uso acima dos 60 anos.
Quando a vacina estará disponível no SUS?
A Butantan-DV deve ser incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI) a partir de janeiro do próximo ano. Um comitê de especialistas do SUS definirá os grupos prioritários para a vacinação.
Qual a eficácia da Butantan-DV?
Os estudos clínicos demonstram uma eficácia geral de 74,7%. Para casos de dengue grave ou com sinais de alerta, a proteção atinge 91,6%, e contra hospitalização, a eficácia é de 100%. A proteção se estende por até cinco anos.
Mantenha-se informado sobre os cronogramas de vacinação e as recomendações das autoridades de saúde para proteger você e sua família contra a dengue.
Fonte: https://g1.globo.com