Um servidor aposentado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) residente no Distrito Federal enfrenta uma situação inusitada e aflitiva. Após o falecimento de sua esposa, também aposentada do INSS, ele teve sua aposentadoria suspensa e foi surpreendido com a informação de que constava como morto nos sistemas do próprio órgão.
Vanderlei Resende, de 75 anos, descobriu a falha ao tentar solicitar a pensão por morte de sua esposa, Maria de Fátima Rodrigues, que faleceu em 17 de outubro. A família afirma ter comunicado o óbito a todos os órgãos competentes, incluindo o INSS, e protocolado o pedido de pensão a que Vanderlei teria direito.
Para surpresa e frustração de Vanderlei, o pedido de pensão foi negado. Ao tentar entender a razão, ele descobriu um erro em seu próprio cadastro. Ao comparecer a uma agência do INSS para apresentar documentos relacionados à pensão, uma funcionária constatou que, no sistema, Vanderlei também constava como falecido na mesma data do falecimento de sua esposa, 17 de outubro.
A situação gerou um duplo problema: Vanderlei não apenas ficou sem a pensão a que tinha direito, mas também perdeu sua aposentadoria, já que, para o INSS, ele estava morto. Desde outubro, a família tenta corrigir o cadastro junto ao INSS, porém, até o momento, os pagamentos não foram restabelecidos.
Maria de Fátima e Vanderlei dedicaram mais de 30 anos de suas vidas ao INSS. Ela trabalhou no apoio administrativo por 37 anos, enquanto ele atuou por 38 anos. A filha do casal, Dalila, expressou sua indignação e tristeza com a situação, afirmando que o problema agravou o sofrimento da família, que já enfrentava o luto e as questões burocráticas decorrentes da morte da mãe.
A ausência da pensão de Maria de Fátima e da aposentadoria de Vanderlei gerou uma crise financeira na família. Dalila lamenta a dificuldade da situação, imaginando quantas outras pessoas podem estar passando por problemas semelhantes sem ter recursos para buscar ajuda.
O INSS informou à família que a aposentadoria de Vanderlei foi reativada, mas ainda dependia de aprovação do Ministério da Gestão e Inovação para o restabelecimento dos pagamentos. O instituto alega estar em contato com o ministério para agilizar o processo. Quanto ao pedido de pensão, negado inicialmente por falta de documentação que comprovasse a união estável, o INSS afirma que o recurso está em tramitação.
Questionado sobre os motivos de Vanderlei constar como falecido no sistema, o INSS não se manifestou diretamente, limitando-se a informar que identificou uma “inconsistência cadastral” e que “já adotou as medidas para corrigir a situação”. A família segue recorrendo no próprio INSS e espera o ressarcimento das parcelas não pagas durante o período em que Vanderlei foi considerado morto pelo sistema.
Fonte: g1.globo.com