G1
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As exportações de carne bovina do Brasil para a Argentina registraram um aumento significativo neste ano, impulsionadas por uma combinação de fatores internos e externos. Dados do Ministério da Agricultura revelam que, entre janeiro e outubro, foram comercializadas 11 mil toneladas de carne para o país vizinho. Este volume representa um salto expressivo em comparação com as 526 toneladas exportadas no mesmo período do ano anterior.

Embora a Argentina não figure entre os principais compradores de carne bovina brasileira, respondendo por menos de 1% do volume total adquirido pela China (o maior cliente do Brasil), o aumento repentino nas vendas chamou a atenção. Especialistas apontam que a imposição de tarifas pelos Estados Unidos ao Brasil e a queda na produção de carne na Argentina são os principais catalisadores desse crescimento.

Analistas indicam que as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil a partir de abril incentivaram os argentinos a aumentar suas exportações para o mercado americano. A Argentina, sendo a quinta maior produtora de carne do mundo, buscou suprir a demanda interna com carne brasileira. Este movimento é evidenciado pelo pico nas compras de carne brasileira pelos argentinos em setembro, logo após o aumento da sobretaxa para o Brasil.

No entanto, as tarifas não foram o único fator determinante. O aumento nas compras pela Argentina já era observado desde fevereiro, antes mesmo das primeiras taxas americanas. A queda na produção argentina, causada por secas e medidas econômicas restritivas do governo anterior, também contribuiu para a necessidade de importação.

A produção de carne na Argentina tem demonstrado declínio nos últimos dois anos, com previsão de queda adicional para 2025. Segundo o consultor Fernando Henrique Iglesias, os efeitos climáticos e os altos custos de produção levaram a uma redução no rebanho argentino. As políticas econômicas do ex-presidente Alberto Fernandéz, incluindo taxas de exportação e suspensões temporárias, também desestimularam a produção.

Em contraste, o atual governo de Javier Milei adotou uma postura pró-exportação, reduzindo e até zerando as taxas de exportação de carne bovina. Essas medidas, segundo Thiago Bernardino de Carvalho, incentivaram o aumento das exportações argentinas, resultando em menor disponibilidade no mercado interno e consequente busca por carne brasileira.

Apesar das medidas do governo Milei, dados da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados (Ciccra) mostram que as exportações de carne da Argentina caíram 10,5% entre janeiro e outubro, impactadas pela diminuição das compras da China. Paralelamente, as vendas argentinas para os EUA aumentaram, enquanto o Brasil enfrentou uma queda no comércio com os americanos devido às tarifas.

Adicionalmente, o Brasil oferece a carne mais barata do mercado internacional, o que torna o produto brasileiro uma opção atrativa para a Argentina. Embora as compras de carne brasileira pelos argentinos tenham diminuído em outubro em relação ao pico do mês anterior, a tendência é que o Brasil continue aumentando as vendas para a Argentina nos próximos anos. A expectativa é que a produção argentina permaneça em baixa, o que impulsionará ainda mais as importações.

Fonte: g1.globo.com