G1
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A BR-230, no km 495, em Cajazeiras, Paraíba, foi totalmente liberada nos dois sentidos na noite desta quarta-feira (26), após um protesto que durou aproximadamente 12 horas. A interdição foi motivada por reclamações sobre a distribuição de água do Açude Engenheiro Ávidos, também conhecido como Boqueirão de Piranhas.

Manifestantes reivindicavam uma melhor gestão da água do reservatório, alegando que o volume de água que sai para outras regiões é superior ao volume que entra, proveniente da transposição do Rio São Francisco, o que estaria levando à sua secagem.

A Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa) informou que a gestão, distribuição, cálculos e demais responsabilidades relacionadas ao açude são de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), por se tratar de um reservatório federal.

A ANA declarou que tem realizado ações de gestão para enfrentar a escassez hídrica na região semiárida. A agência informou que a transferência de águas entre os açudes Engenheiro Avidos e São Gonçalo durante o período de chuvas está prevista em regulamentação e foi discutida em reunião realizada em Cajazeiras no dia 11 de junho de 2025.

Ainda segundo a ANA, o volume anual a ser transferido no ciclo 2025-2026 é de 50 hm³, conforme o Termo de Alocação de Água vigente, que também define a forma de operacionalizar essa transferência. A agência ressaltou que eventuais alterações no volume ou na vazão de transferência podem ser solicitadas pela Comissão de Alocação e Acompanhamento de Água (CAAA).

Uma reunião entre diversos órgãos, incluindo a Aesa, está agendada para quinta-feira (27) com o objetivo de encontrar uma solução para a questão da distribuição da água.

Um agricultor, identificado como Francisco Matias de Oliveira, relatou o sofrimento da população local devido à falta de água. “O pessoal tá sofrendo muito. A gente sem água, tem que o carro pipa vir abastecer, é uma vergonha”, disse.

De acordo com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piancó-Piranhas-Açu, Ricardo Ramalho Lins, o problema teria sido causado pela ausência de solicitação da Aesa ao Ministério da Integração para o aporte de água para o açude.

Fonte: g1.globo.com