O Encontro Nacional e Internacional de Mulheres na Roda de Samba celebra sua oitava edição homenageando duas figuras icônicas do samba: Dona Ivone Lara (in memorian) e Nilze Carvalho. O evento, que se consolidou como a maior roda de samba do mundo, ocorrerá em um clube no Rio de Janeiro.
Simultaneamente, o encontro se estenderá a outras 30 cidades no Brasil, incluindo São Paulo, e a algumas localidades fora do país, unindo vozes e ritmos em uma celebração global do samba feminino.
Nilze Carvalho, veterana do encontro desde sua primeira edição, junta-se a um seleto grupo de homenageadas que inclui Beth Carvalho, Elza Soares, Alcione, Teresa Cristina, Áurea Martins, Leci Brandão e Clementina de Jesus (in memorian).
A idealizadora do evento, Dorina, explica que o objetivo inicial era fortalecer o protagonismo feminino, a inclusão e a diversidade cultural no cenário do samba, meta que tem sido alcançada ao longo dos anos. “Fiz uma chamada dizendo ‘quero o movimento das mulheres que querem fazer samba, querem estar junto em uma roda, aquela coisa de orar através do samba e do batuque’”, relata.
Desde sua criação em 2018, a iniciativa se expandiu consideravelmente. Originalmente realizada em 11 cidades no Brasil e algumas na Argentina e Uruguai, o evento hoje conta com coordenadoras locais em cada cidade participante para facilitar a organização e garantir um caráter democrático e inclusivo.
“Esse ano estou muito feliz com este movimento porque a gente vê que elas mesmas estão se agrupando nas cidades delas, vendo a importância e trazendo outras mulheres”, completa Dorina.
Entre as participantes, encontram-se mulheres em situação de violência, pessoas trans e pessoas com deficiência (PCDs), refletindo uma crescente conscientização e a busca por um ambiente mais acolhedor e representativo.
“A gente costuma falar ‘a mulher cuida do outro’, a mulher cuida mesmo, e ela tem que se cuidar primeiro para cuidar, então, a gente faz uma grande rede de proteção”, afirma Dorina.
O encontro proporciona às mulheres a oportunidade de trocar experiências, saberes e fortalecer laços. “Quando a gente fala em ancestralidade, são os saberes que pegamos das outras. Tem muito a minha mãe, minha avó e as minhas tias nesta história”, observa Dorina.
No Rio, mais de 100 mulheres, entre cantoras, compositoras, produtoras, assistentes e instrumentistas, participarão do evento. A apresentação na cidade estará a cargo da cantora e jornalista Bia Aparecida, com direção musical de Ana Paula Cruz e Roberta Nistra.
Ao longo de seis horas de celebração, o palco receberá, além de Dorina e Nilze Carvalho, nomes como Ana Costa, Dayse do Banjo, Lu Oliveira, Patrícia Mellodi e Lazir Sinval, bem como apresentações dos grupos Herdeiras do Samba, Matriarcas do Samba e Mulheres da Pequena África.
Para a organização, o Encontro é mais do que um evento musical; é um movimento político e social que empodera mulheres no samba, abrindo portas e influenciando outros movimentos musicais pelo país.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br