Túneis guardam mapa, armas e cozinhas improvisadas usadas por soldados na Guerra do Vietnã
Compartilhe essa matéria

Em Cù Chi, na zona rural de Ho Chi Minh, um intrincado labirinto de túneis subterrâneos emerge como um testemunho da Guerra do Vietnã. Com mais de 250 quilômetros de extensão, essa rede, hoje transformada em museu a céu aberto, serviu como base vital para o transporte, comunicação e abrigo de soldados durante o conflito.

Originalmente construídos durante a luta contra a França, os túneis foram expandidos para resistir à ofensiva dos Estados Unidos. Dentro desta complexa teia subterrânea, a vida floresceu em verdadeiras aldeias, equipadas com cozinhas, hospitais e salas de reunião. Estima-se que, no auge, cerca de 300 mil pessoas habitaram esses túneis, com crianças nascendo e crescendo sob a terra.

“Eles passavam semanas aqui, sobrevivendo de água e raízes”, relata Trinh Cao Thang, guia local, evidenciando a resiliência dos que buscaram refúgio nesse mundo subterrâneo.

Um dos exemplos notáveis de engenhosidade é o sistema de cozinhas Hoàng Cầm, projetado para dissipar a fumaça e evitar detecção aérea. Kim, também guia, demonstra o preparo da mandioca, alimento básico durante a guerra, assim como faziam os vietcongues, guerrilheiros comunistas do sul. “É difícil mexer com as panelas no escuro”, comenta Kim, ilustrando os desafios da vida sob a terra.

Além de sua função como refúgio, os túneis desempenharam um papel crucial na estratégia militar. Armas e suprimentos eram transportados do norte através da trilha Ho Chi Minh, passando pelas florestas do Camboja e sendo distribuídos através da rede subterrânea.

Cù Chi também foi palco de operações secretas. Casas aparentemente comuns escondiam alçapões que davam acesso a depósitos de armas, alguns camuflados sob pilhas de tomates. Um único porão chegou a armazenar mais de duas toneladas de armamentos, alguns dos quais ainda podem ser encontrados no local atualmente. Ao lado das armas, um mapa detalhado da antiga Saigon servia para o planejamento de ataques e a definição de estratégias pelos guerrilheiros.

Lap, que tinha apenas 12 anos na época, recorda a audácia dos planos que ali foram traçados: “Centenas de americanos viviam nesse bairro, e não pensavam que o lugar mais perigoso seria justamente o mais seguro para alimentar as tropas, levar comida pros soldados na floresta. A missão desse quartel era atacar as 5 maiores bases de Saigon.”

Fonte: g1.globo.com