A fila de espera por cirurgias eletivas nos hospitais públicos de Campinas apresentou um aumento alarmante em 2025. Os hospitais Mário Gatti (incluindo o Mário Gattinho) e Ouro Verde registraram, entre janeiro e outubro, um total de 3.569 pacientes aguardando procedimentos, um número 3,2 vezes maior do que os 1.083 contabilizados no mesmo período do ano anterior.
O Hospital Ouro Verde foi o que apresentou o crescimento mais expressivo, saltando de 238 pacientes em 2024 para 1.864 em 2025, o que representa um aumento de 683%. No Hospital Mário Gatti, o número de pacientes na fila dobrou, passando de 845 para 1.705, um aumento de 101,8%.
O presidente da Rede Mário Gatti, Sérgio Bisogni, atribuiu o aumento da demanda a fatores como o envelhecimento da população, o maior acesso a exames diagnósticos e a migração de pacientes do sistema de saúde privado para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as especialidades com maior demanda nos hospitais da rede, destacam-se: no Mário Gatti e Mário Gattinho, as cirurgias do sistema osteomuscular, do aparelho geniturinário e do aparelho digestivo. Já no Hospital Ouro Verde, as áreas mais demandadas são as cirurgias do aparelho da visão, do aparelho digestivo e do aparelho geniturinário.
Um exemplo da situação enfrentada pelos pacientes é o do autônomo Arnoldo Carlos Cocatto, que aguarda há um ano por uma cirurgia reparadora de hérnia abdominal. Após complicações em procedimentos anteriores, a hérnia de Arnoldo cresceu significativamente, impactando sua qualidade de vida. “Muitas dores, cólicas com diarreia, dores fortes. Não consigo abaixar, não consigo amarrar um calçado, não posso fazer nada”, relata Arnoldo, que aguarda a cirurgia desde novembro de 2024.
A Rede Mário Gatti informou que a cirurgia de Arnoldo está prevista para o primeiro trimestre de 2026, e ele será convocado para reavaliação quando faltarem cerca de 10 procedimentos antes do dele.
Diante do aumento expressivo da fila de espera, o presidente da Rede Mário Gatti reconheceu que a situação é preocupante. “Hoje, posso falar com segurança que essa fila é real, verdadeira e dá para seguir com algum grau de organização. Mas confesso: só a Rede Mário Gatti não vai dar conta”, afirmou Bisogni.
Até outubro de 2025, foram realizadas 14.620 cirurgias na rede, sendo 71% eletivas e 29% de urgência. Bisogni destacou que o maior gargalo está nas cirurgias de alta complexidade ortopédica, como próteses de joelho e quadril, cuja espera pode ultrapassar dois anos.
Como solução para ampliar a capacidade de atendimento, Bisogni apontou a construção do Hospital Regional, já aprovada. “Se não fizermos cerca de 100 cirurgias de alta complexidade por mês, não vamos resolver a fila. Hoje, a capacidade da rede é de 300 a 400 por ano”, concluiu.
Fonte: g1.globo.com