O mal súbito ao volante emerge como uma das principais causas de acidentes nas rodovias do Brasil. Estatísticas recentes revelam uma realidade alarmante: somente nas rodovias federais, foram registrados 590 acidentes provocados por essa condição até setembro deste ano. Em 2023, o número chegou a 811. As ocorrências de 2024 já resultaram em 1.220 feridos e 359 mortes. A gravidade do problema se intensifica ao considerar que os dados não abrangem as estradas estaduais e vias municipais, indicando que o número total de casos pode ser significativamente maior.
Um exemplo recente ocorreu em São Paulo, quando um ônibus com 20 passageiros invadiu um estacionamento na Zona Oeste. O motorista, identificado como Eriosvaldo, relatou ter sofrido um mal súbito. Hipertenso e dependente de medicação contínua, ele afirmou que sua pressão arterial atingiu um nível crítico de 20 por 9 após o incidente. Em estado de choque, Eriosvaldo confessou não se lembrar do momento do acidente.
Hélio Alves da Silva, presente no estacionamento, escapou por pouco de ser atingido. Ele havia se afastado do carro para atender a uma ligação quando testemunhou o ônibus desgovernado se aproximando. Apesar do susto, ninguém se feriu.
Outro caso impactante ocorreu na Zona Sul da capital, onde Raílson, também hipertenso, perdeu o controle do veículo e despencou por uma escadaria de 74 degraus. Raílson admitiu ter esquecido de tomar a medicação para a pressão naquele dia e não possui memórias do acidente.
Esses eventos não são casos isolados. Em São Benedito (CE), um motorista de van colidiu com um carro e uma motocicleta. Em Ituverava (SP), um veículo descontrolado atingiu um poste. Em Campinas (SP), um carro invadiu a calçada, quase atropelando um pedestre. Em todos os casos, os motoristas alegaram ter sofrido um mal súbito.
Segundo o Dr. Flavio Emir Adura, diretor científico da Abramet, o mal súbito engloba eventos médicos agudos como paradas cardíacas, desmaios e convulsões. Estudos internacionais apontam que essa condição é responsável por 5% a 10% dos acidentes graves.
As causas mais comuns incluem problemas cardiológicos, como infarto do miocárdio e arritmias cardíacas, além de acidente vascular cerebral (AVC), hipoglicemia (queda do açúcar), crises de epilepsia e o uso de álcool, drogas ou medicamentos.
Embora o mal súbito possa afetar qualquer indivíduo, a prevenção é crucial. A recomendação principal é que pessoas com doenças crônicas busquem o controle adequado de suas condições de saúde e evitem dirigir em dias em que não se sintam bem.
Fonte: g1.globo.com